Cinco tragédias no futebol e suas consequências

Cinco tragédias no futebol e suas consequências

Morte de torcedor na Bolívia, em partida entre San José e Corinthians, é mais um capítulo trágico na longa história de violência e impunidade no futebol

FOX Sports

A tragédia que terminou com a morte de um torcedor de 14 anos, na partida entre San José e Corinthians, nesta quarta-feira (20 de fevereiro), é mais um capítulo trágico da longa história de violência no futebol. Assassinatos e desabamentos vêm tirando a vida de pessoas que vão ao estádio torcer pelo time do coração. Com exceção da tragédia de Heysel, os incidentes terminam em impunidade. O FOXSports.com.br listou outros cinco casos semelhantes envolvendo times brasileiros e europeus.

Maracanã, 1992:

Era 19 de julho de 1992. O Maracanã estava lotado para a final do Campeonato Brasileiro entre Botafogo e Flamengo. Faltavam mais de 30 minutos para começar a partida e os torcedores estavam em alvoroço.

As grades das arquibancadas, que já apresentavam sinais de desgaste e má conservação desde a década de 80, não suportaram a pressão e cederam. Com isso, diversas pessoas caíram, atingindo torcedores que estavam embaixo. Na ocasião, três morreram e 90 ficaram feridos.

O acidente deixou o Maracanã fechado por sete meses. Ninguém foi preso, já que a tragédia foi considerada acidente. Mesmo assim, o governo do Rio de Janeiro investiu milhões de dólares na recuperação do local. Depois das reformas, a capacidade do estádio caiu de 200 mil para 100 mil lugares.

Heysel, 1985:

Bruxelas, 29 de maio de 1985. O estádio de Heysel era sede da partida entre Juventus e Liverpool, válida pela Copa dos Campeões. Cerca de uma hora antes da partida, os problemas começaram.

Fora do estádio, hooligans (termo utilizado para denominar torcedores ingleses muito violentos) invadiram a zona neutra, provocando pânico na torcida da Juve. Pressionados, os italianos começaram a correr para outra parte do estádio, que não aguentou o peso e cedeu. Com isso, 38 pessoas morreram e 454 ficaram feridas.

Ao todo, 27 torcedores do Liverpool foram presos, acusados de homicídio. Em 1989, depois de julgamento que durou mais de cinco meses, 14 foram condenados a três anos de prisão. Heysel ficou fechado para jogos de futebol por dez anos, sendo usado apenas em competições de atletismo. Em 1995, a construção foi substituída, e o novo estádio voltou a receber partidas em 1996.

Todas as equipes inglesas, com exceção do Liverpool, foram banidas de competições europeias por cinco anos. O Liverpool, por seis anos. Ninguém da polícia belga ou da UEFA foi punido. Além disso, a tragédia obrigou os clubes ingleses a tomar providências contra torcedores violentos. Atualmente, o futebol inglês é um dos melhores do mundo.

Hillsborough, 1996:

Era 15 de Abril de 1989. Liverpool e Nottingham Forest disputavam o título da Taça da Inglaterra. O estádio de Hillsborough, em Sheffield, foi o campo neutro escolhido para sediar a partida.

À época, muitos estádios ingleses tinham cercas metálicas para proteger os torcedores. Antes da partida, os torcedores se espremiam entre os acessos às arquibancadas, que eram poucos, e túneis de emergência abertos para auxiliar a entrada. Nesse dia, as cercas cederam. Ao todo, 96 pessoas morreram e cerca de 770 ficaram feridas. Ninguém foi preso e a tragédia foi considerada um acidente. Entretanto, ainda correm processos de investigação.

Supercopa São Paulo de Futebol Júnior, 1995:

20 de agosto de 1995: São Paulo e Palmeiras, no Pacaembu, decidiam a Supercopa São Paulo de Futebol Júnior. Era a partida que decidia o campeão do torneio e, no tempo regulamentar, o resultado havia sido o empate em 0 a 0.

Depois que o atacante palmeirense Rogério, na morte súbita, fez o gol que definiu a vitória do Verdão, as duas torcidas invadiram o campo e começaram uma confusão generalizada, usando pedras e pedaços de pau.

Como resultado, um torcedor do São Paulo, de apenas 16 anos, morreu, e outras 102 pessoas ficaram feridas.

Após o incidente, o Ministério Público Estadual pediu a extinção da Mancha Verde e da Independente. Na teoria, as torcidas deixaram de existir. Na prática, a organizada do Palmeiras se tornou Mancha Alviverde e a Independente apenas mudou de estrutura.

Copa João Havelange, 2000:

No dia 30 de dezembro de 2000, Vasco e São Caetano faziam a final da Copa João Havelange. O estádio São Januário, lotado, sediava a partida.

Aos 23 minutos do primeiro tempo, torcedores do São Caetano começaram a correr em direção à grade que separava a torcida do gramado para fugir de uma briga. Com a pressão, a grade cedeu e 175 pessoas ficaram feridas. Ninguém foi preso pelo incidente.

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