Montillo dá volta por cima no Tigre e divide ‘culpa’ com médicos do Botafogo por sua aposentadoria

Montillo dá volta por cima no Tigre e divide ‘culpa’ com médicos do Botafogo por sua aposentadoria

Voando no futebol argentino, meia coleciona prêmios individuais e conta ao FOXSports.com.br o que preferiu omitir dois anos atrás

Brendonw Klein

“Ninguém esquece de jogar bola”. Assim Walter Montillo, meia de 35 anos, resume sua aula de superação dois anos após anunciar sua aposentadoria na sala de imprensa do Estádio Nilton Santos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no fim de junho de 2017. O argentino defendia o Botafogo e, com lágrimas nos olhos, deu adeus aos gramados sob olhares dos jornalistas, sua esposa e filhos. 

Acontece que o mundo dá voltas. As lesões musculares pareciam insuperáveis – foram cinco seguidas no Alvinegro –, mas Montillo persistiu, voltou atrás e decidiu tentar mais uma vez. No Tigre (ARG), ganhou uma nova chance e, em uma só temporada, 
foi líder de assistências e melhor meia do ‘Argentinão’, além de campeão e craque da Copa da Superliga, torneio que dá vaga na Conmebol Libertadores.

Veja as últimas do Mercado da Bola e quem pode chegar ao seu time

Na época da despedida, Montillo se disse incapaz, cansado das inúmeras tentativas de voltar a jogar em alto nível e pediu desculpas aos torcedores do Botafogo. A justificativa das lesões, no entanto, ganha um novo capítulo pouco mais de dois anos após o primeiro ‘adeus’ do argentino. Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, o jogador questionou as decisões do departamento médico do time de General Severiano e dividiu a responsabilidade pela precoce decisão de parar com o futebol.

“A culpa é conjunta. Foi um pouco minha por não conseguir nunca ficar 100%, mas também deles. Agora que o tempo passou posso falar, porque com o departamento do Tigre eu não me machuquei nunca e joguei quase todos os jogos de titular. Posso falar que a culpa foi conjunta, não coloco a culpa toda neles, mas tem uma parte na minha decisão”, desabafou Montillo, que apesar de falar com muita simpatia sobre o clube alvinegro, rechaça voltar um dia a General Severiano. 

Gringos elegem os cinco maiores do Brasil; veja o resultado

“Eu disse que, se voltasse ao Brasil, a prioridade seria do Botafogo. Mas, com a idade que eu tenho, não vou voltar para lá. Estou muito feliz, tenho contrato de mais dois anos. Com 37, seria muito difícil sair da Argentina”, disse.

Pelo Botafogo, Montillo fez apenas 17 partidas e não conseguiu marcar nenhum gol. Pelo Tigre, já são 27 partidas e seis gols marcados. Ele não conseguiu livrar o Tigre da Série B, mas venceu, foi campeão, levantou troféus individuais, e o sucesso repentino lhe rendeu quatro propostas importantes. Perguntado sobre o porquê de ter dado tão certo no time ‘hermano’, ao contrário do Botafogo, o jogador explica que encontrou o suporte que necessitava para encontrar a forma ideal, se livrar das lesões repetitivas e voltar a jogar em alto nível.

“Ninguém esquece de jogar bola. Foram só seis meses que eu parei de jogar, por problemas físicos que eu estava tendo no Botafogo. Eu precisava pegar ritmo e não me machucar. A confiança do treinador (do Tigre) foi muito importante para mim e também o time, que sabia jogar bem, com a bola no chão. Agora estou feliz, fomos campeões (da Copa da Superliga Argentina) e fui escolhido o melhor jogador da competição”, comemora.

Procurado pelo FOXSports.com.br, o Botafogo explicou que Montillo já se encontrava na fisioterapia quando o atual departamento médico ingressou no clube e que os profissionais não tiveram tempo suficiente para reabilitá-lo. Christiano Cinelli, chefe do DM alvinegro, se mostrou contente com o momento do atleta argentino: “Estamos felizes com a recuperação e torcemos muito para que continue jogando em alto nível”.

O Tigre de Walter Montillo estreia na Série B do Campeonato Argentino no próximo dia 18 de agosto, contra o Quilmes, e está garantido na fase de grupos da Conmebol Libertadores 2020. 

Confira também a entrevista ping-pong com Montillo:

A VOLTA POR CIMA COM TÍTULO E PRÊMIOS INDIVIDUAIS

“Ninguém esquece de jogar bola. Foram só seis meses que eu parei de jogar, por problemas físicos que eu estava tendo no Botafogo. Eu precisava pegar ritmo e não me machucar. A confiança do treinador (do Tigre) foi muito importante para mim e, também, o time que sabia jogar bem com a bola no chão. Agora estou feliz, fomos campeões (da Copa da Superliga Argentina) e fui escolhido o melhor jogador da competição.” 

A SENSAÇÃO DE JOGAR SÉRIE B E LIBERTADORES 

“A sensação é muito ruim, mas quando cheguei no clube o Tigre estava em uma situação muito difícil, por causa do ‘promédio’ (regra de rebaixamento na Argentina). Não conseguimos por só dois pontos tirar o time do rebaixamento, mas saímos campeões da Copa da Superliga e classificamos para a Libertadores. Estamos curtindo muito esse momento e vamos tentar voltar à Série A e nos preparar para a Libertadores.”

“É o aproveitamento nos últimos três anos da Série A. Por isso, times pequenos que sobem sofrem muito e a chance de cair imediatamente é grande”


A REGRA ‘INGRATA’ DO ARGENTINO 

“É estranho. Essa regra nasceu só para os grandes não caírem, mas não adiantou muito. Caiu Independiente, caiu River Plate, caíram quase todos. Não é uma regra ruim porque caímos, mas porque você acaba tendo que montar uma equipe para não cair e não para ser campeão. Seria bom como é no Brasil, caem quatro e sobem quatro, para todos terem as mesmas oportunidades.”

SAÍDA DO BOTAFOGO E APOSENTADORIA PRECOCE

“A culpa é conjunta. Foi um pouco minha por não conseguir nunca ficar 100%, mas também deles... agora que o tempo passou posso falar, porque com o departamento do Tigre eu nunca machuquei nunca e joguei quase todos os jogos de titular. Posso falar que a culpa foi conjunta, não coloco a culpa toda neles, mas tem uma parte na minha decisão.”

VOLTARIA AO BOTAFOGO?

“Eu disse que se voltasse ao Brasil, a prioridade seria do Botafogo. Mas, com a idade que eu tenho, não vou voltar para lá. E estou muito feliz, tenho contrato de mais dois anos. Com 37, será muito difícil sair da Argentina.” 

PROPOSTAS PARA DEIXAR O TIGRE

“Eu preferia ficar na Argentina, por causa do meu filho que tinha dificuldades naquela época. Do Brasil, acho que a Chapecoense me ligou. Daqui, ligaram Estudiantes, Lanús e San Lorenzo. No Tigres ficou quase o time todo, fizemos um pacto. Ficou o treinador e 7 titulares. Montamos uma amizade muito grande dentro do clube. Agora pensamos em voltar à Série A, veremos se a gente consegue.”

TIME BRASILEIRO MAIS MARCANTE  

“Acho que o Cruzeiro. O time que mais joguei, mais fiz gols, dei mais assistências... Foi o primeiro que atuei no Brasil, o time que me fez ser conhecido.”

SAÍ DO CRUZEIRO PARA O SANTOS

“A saída foi conturbada, porque quando você tem um jogador de sucesso no seu time, os torcedores com certeza não querem que você saia. Mas, na época, como sempre falei, o Cruzeiro precisava do dinheiro. O time 2010/2011 foi desmontado, quase todos os jogadores foram embora, o clube não contratou, brigamos para não cair. Em 2012, ficamos no meio da tabela, não tínhamos um time muito competitivo. Chegou a proposta do Santos, e eu saí. Alguns torcedores ficaram bravos, mas acho que foi uma decisão correta. Para mim, era uma boa opção, jogar no Santos, jogar com Neymar, que foi uma coisa muito linda na minha carreira. Para o Cruzeiro, também foi bom, lucrou com a venda de um jogador de 28 anos. Foi uma boa escolha.” 

CARRASCO DO FLAMENGO?

“Acho que sim, realmente foi o time que eu fiz mais gols. Marquei nos tempos de Universidad do Chile. Mas, sempre tive muito respeito. Nunca alimentei uma rivalidade.”

PROPOSTA RUBRO-NEGRA EM 2015

 “Inclusive, recebi um convite em 2015 para jogar no Flamengo e fiquei muito honrado. Eu estava na China, mas o presidente do clube (Shandong Luneng) não liberou. Eu tinha mais alguns anos de contrato.”

BOCA OU RIVER? QUAL O ARGENTINO MAIS FORTE DA LIBERTADORES?

“O River Plate é o time da vez, o time do momento, que já está há alguns anos nessa pegada. Mas o Boca Juniors agora montou uma seleção, um verdadeiro timaço.”

QUAIS OS TIMES BRASILEIROS DO MOMENTO? 

“Eu gosto muito do Grêmio, tem jogado muito bem. Assisti ao último jogo contra o Libertad. O Santos também, com o Sampaoli... fez seis gols em um jogo. Não estou conseguindo acompanhar muito os jogos do Brasileirão, mas gosto de ver esses times jogarem. O Palmeiras também, é um time que está sabendo jogar a Libertadores e pode ir longe."

VOCÊ JÁ VESTIU A 10 DA ARGENTINA. MESSI É JOGADOR DE CLUBE? 

“Não acho que exista isso de jogador de clube. São situações diferentes. No Barcelona, ele tem uma seleção ao lado. Imagine Messi ao lado de Arthur, Suárez e o camisa 5 (Busquets). Tudo depende do funcionamento do time, todos se conhecem há muito tempo, é uma equipe direitinha. Em 2014, a seleção argentina tinha um time montado, quase foi campeão, mas depois mudaram muitos jogadores e o técnico.”

POR QUE ARGENTINOS JOGAM NO BRASIL, MAS BRASILEIROS NÃO JOGAM NA ARGENTINA?

“A moeda na argentina não é muito valiosa, os salários são muito baixos. O argentino também tem uma facilidade maior de se adaptar mais rápido, ficar longe da família, trabalhar sozinho. Tem muitos casos assim. É muito difícil um brasileiro sair do Brasil para vir à Argentina ganhar um salário baixo. Nunca tive a oportunidade de jogar com um brasileiro aqui, mas todos os estrangeiros que vêm tentamos ajudar, pelo menos nos times que joguei. Tentamos mantê-los perto e ajudar no que for necessário. O  argentino é bastante acolhedor com os estrangeiros. Talvez a língua tenha dificultado um pouco.”

Leia também!

Gabigol revela que conversa com Balotelli quase todos os dias

Barcelona contra-ataca e traça novo plano para ter Neymar

Torcedores do Chelsea ‘atacam’ restaurante de D. Luiz em Londres

Crédito: Satiro Sodré/SSPress/Botafogo

Publicidade
Link copiado para a área de transferência!
Publicidade