Bau do Micheletti A inusitada exigencia de Eurico Miranda

Baú do Micheletti: A inusitada exigência de Eurico Miranda

Dirigente faleceu na manhã desta terça-feira (12), após dar entrada em hospital no Rio de Janeiro já em estado grave

Baú do Micheletti

Eu era editor de texto da TV Record, em 2003. À época, além de trabalhar muito para o inesquecível “Debate Bola”, que era sucesso total de audiência como o FOX Sports Rádio é hoje na hora do almoço, também editava para o “Terceiro Tempo”, programa comandado por Milton Neves aos domingos. O “TT” sempre trazia um convidado “bombástico”.

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Em um certo domingo, depois de inúmeras tentativas, Milton Neves e nossa produção (Helô Campanholo e companhia) convenceram o polêmico cartola a participar do programa. Ele sabia que seria “bombardeado” pelos comentaristas e por Milton, mas não se esquivou.

Eurico aceitou o convite, mas com uma condição: pediu um carro com vidros bem escuros para buscá-lo no aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Veículo esse que o levaria aos estúdios da TV Record, na Barra Funda, zona oeste da cidade.

Ele chegou aproximadamente uma hora antes do início do programa. Apareceu de surpresa na redação, soltando nada prazerosa fumaça com o tradicional charuto, marca registrada dele.

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Andar lento, malandro, cara de poucos amigos e monossilábico, ele se ajeitou em uma cadeira. Eu fiquei confuso. Eurico era nosso convidado e precisava recebê-lo bem. Muitos colegas não escondiam a insatisfação com a presença do dirigente vascaíno em nossa sala.

Para “quebrar o gelo”, eu me recordei de uma história de 1992, quando ele fora entrevistado pela rádio Jovem Pan logo após o título da Copinha SP. Eurico na ocasião falou: “Fomos campeões hoje sobre o São Paulo, mas o nosso melhor jogador, o craque mesmo do Vasco não está aqui. Ele se chama Edmundo e já está no elenco profissional. Vocês vão ouvir falar muito dele”, disparou Eurico.

A minha boa memória arrancou um pequeno e inesperado sorriso do rosto carrancudo de Eurico. E, claro, que veio um comentário com pouca humildade: “Eu sempre entendi de futebol”, declarou enquanto dava mais uma indesejada baforada.

Não aguentei e quis acabar com a minha curiosidade e também de muitos colegas de redação, então perguntei: “Por que o senhor pediu carro com vidros escuros? E a resposta foi rápida: “Porque não gosto de São Paulo. A cidade é feia, por isso”, alegou o polêmico dirigente.

Anos depois, eu já funcionário do FOX Sports, o convidei para participar do FOX Sports Rádio Noite, em 2013, e relembrei o pedido inusitado feito por ele há mais de 10 anos. Ele sorriu, bem simpático, e disse: “Seja bem-vindo ao Rio. Aproveite essa cidade que é linda”. Esse era Eurico Miranda: nem pior, nem melhor, mas com certeza um grande apaixonado pela Cidade Maravilhosa e o dirigente mais polêmico da história do nosso futebol. Descanse em paz.

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Crédito da foto: divulgação/ Vasco da Gama

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