Meninos do Ninho: a alegria do CT

A intraduzível mistura de sentimentos que a tragédia provocou na nação. E não só na rubro-negra

Por Calil na Rede!

São mais ou menos 500 metros que separam a porta do CT Ninho do Urubu da antiga área de treino da equipe profissional do Flamengo. E no caminho frequente da nossa equipe de reportagem, era comum vê-los por todos os lugares: os meninos. Parece até que se multiplicam. É tanta energia que ocupavam todos os espaços do Centro de treinamento.

Era só olhar pra um canto, que estavam lá, amontoados nos carrinhos de golf, divertindo-se ao passar por nós. Daí olhava pro outro lado, lá estavam também, na beira do campo, tietando. Olho brilhava quando passava o Diego. Era um tal de cutuca o amigo quando o Juan chegava perto. E quando era o goleiro César, não se aguentavam... iam até ele.

O que me vem à cabeça ao lembrar dos garotos da base rubro-negra? Sorrisos. Um milhão deles. Daqueles que a gente consegue imaginar com som. Um jeito moleque de viver um sonho. BAITA sonho. Era alegria preenchendo o ar. Não sei dizer se o menino que eu via era o Rikelme. Ou o Pablo Henrique. Arthur? Christian? Pisetta? Não sei. Pra mim eles todos tinham cara de Fernando. Sim, Fernando, esse pequeno vascaíno que também sonha em ser jogador profissional. Quer defender um grande time. Ele mesmo me disse. Falou também que, apesar da tragédia, não desiste do futebol. E mesmo não torcendo pro Flamengo, defenderia a camisa.

Foi até o CT do rival, no dia mais triste da História do seu adversário, com o pai corintiano, levando a bandeira do Flamengo e rosas, que ele ajudou a escolher. Com tão pouca idade já sabe o que é sonho. Entendeu o que é dor. Sentiu o que é perda. Compartilhou compaixão. E ensinou a todos nós,  que estávamos ali, nessa cobertura trágica, o que realmente importa.

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