Por que o Santos de Pelé não ganhou a Libertadores 10 vezes seguidas na época do Pelé?

Por que o Santos de Pelé não é o maior campeão da Libertadores?

Peixe tinha uma das melhores equipes do mundo, mas o time tinha outras prioridades na década de 60

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É claro que o Peixe tinha uma das melhores equipes do mundo na década de 60, mas com certeza não era imbatível: neste período, chegou a ser eliminado duas vezes seguidas na semifinal da Libertadores. Além disso, o que é uma obsessão para alguns nos dias de hoje, já foi motivo de desprezo em outros tempos. A competição sul-americana nem sempre teve o prestígio atual e chegou a ser abandonada por dar prejuízo à equipe.

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O Santos da Era Pelé conquistou a América em duas oportunidades: 1962 e 1963. Porém, o time do “Rei do futebol” poderia ter feito mais. Mesmo classificado, o Peixe optou por não participar da competição em três oportunidades. Como esclareceu o jornalista e historiador do clube, Odir Cunha: “O Santos não tinha muito entusiasmo de jogar a Libertadores”.

O futebol nos anos 60 foi marcado pelas cores preta e branca. Foi nessa época que o Santos firmou seu nome entre os grandes clubes do mundo, conquistando o bicampeonato Mundial (1962-63). A arma do time era um jovem talento, prata da casa, que ainda iria dar muitas alegrias para os brasileiros: Pelé. O Rei contribuiu e muito nos 23 títulos na década de ouro do clube da Baixada Santista. Com tantas vitórias, não demorou para o time ganhar renome internacional.

“O Santos estava acostumado a jogar grandes clássicos contra paulista e cariocas. Um desconhecido da Bolívia [por exemplo] não animava a torcida. Assim, o clube não faturava com a renda dos estádios na Libertadores”

“Com a fama, o Santos ganhou status de melhor time do mundo. Ele era a base da Seleção Brasileira que foi bicampeã das Copas de 58 e 62.” , explicou Odir Cunha, que acrescentou: “A Seleção chegou a jogar por duas vezes com oito titulares do Santos na década de 60”.

Era comum, nesta época, acontecer pequenos torneios internacionais que reuniam times convidados de diversas partes do mundo. Participar desses jogos, além do glamour, era muito rentável. Os convidados recebiam bolsas de alto valor financeiro para os padrões da época. “50 mil dólares em um jogo era uma fortuna nesse tempo”, contou o historiador.

De acordo com Cunha, o Santos era o time que pagava os melhores salários do Brasil. O rendimento dentro de campo (principalmente nos torneios em que era convidado) refletia na situação financeira do clube, que possibilitava grandes contratações. Foi o caso Carlos Alberto Torres, do Fluminense, Mauro, do São Paulo, e Gilmar, do Corinthians.

“Para manter esse elenco, o Santos precisava de dinheiro. Em uma época que não tinha patrocínio de camisa, as arrecadações dos estádios não eram grande coisa e a TV não pagava nada”, explicou.

Libertadores

A primeira edição da Libertadores da América aconteceu em 1960. A ideia era uma competição que reunisse os clubes  campeões da América do Sul. O vencedor disputaria o Interclubes, contra o melhor da Copa dos Campeões da Europa.

Porém, o evento não rendia tanto aos clubes quando hoje. As grandes distâncias percorridas para os confrontos não tinham retorno financeiro imediato. A renda total ficava com o mandante da partida, que abarrotavam o estádio de torcedores buscando aumentar os lucros.

Outro fator marcante da Libertadores era a violência. Longe da cobertura que temos hoje, a televisão não tinha tanto espaço nos estádios. Assim, a pressão de estar constantemente sendo vigiados era minimizada, possibilitando abusos de jogadores, torcedores e juízes – que “sempre favoreciam os times da casa”, como ressaltou Cunha.

Assim, o Alvinegro se deu conta que não tinha vantagens em disputar a competição. Claro que sua importância era inegável, já que abria as portas doInterclubes, mas o clube não recebia o retorno financeiro necessário, pois, mesmo como mandante, não lucrava com a renda e colocava em risco a integridade física de seus atletas.

“O Santos estava acostumado a jogar grandes clássicos contra paulista e cariocas. Um desconhecido da Bolívia [por exemplo] não animava a torcida. Assim, o clube não faturava com a renda dos estádios na Libertadores”, explicou Cunha.

Em 1964 e 1965, o Santos foi eliminado na semifinal pelo Independiente e o Peñarol, respectivamente. Nesta época, a diretoria santista percebeu que a competição era deficitária para os cofres do clube. Então, em 196667 e 69, mesmo com vaga garantida, o Peixe preferiu não disputar a Libertadores, mas mesmo assim, pelo o que já havia conquistado, figurava entre os maiores do futebol.

"Como o Real Madrid nos dias de hoje, mesmo que ele fique muitos anos sem ganhar títulos, ele será reconhecido como um dos melhores times do mundo. Assim foi com o Santos, ele já tinha esse mercado internacional e deles que tirava o sustento para manter o time", finaliza Odir. 

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