Rincón diz como donos do Cartel de Cali o negociaram com o Palmeiras e ignora série Narcos

Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com, o ex-jogador da seleção colombiana ainda lembrou da relação entre futebol e narcotráfico em seu país

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Recentemente a série do Netflix Narcos, febre mundial da plataforma de streaming, chegou à sua terceira temporada. Se no começo de tudo o vilão era Pablo Escobar, narcotraficante interpretado pelo ator brasileiro Wagner Moura, agora são os irmãos Rodríguez Orejuela que mandam no pedaço, através do Cartel de Cali. A produção tenta retratar um pouco da realidade da Colômbia nos anos 90, que também tinha no futebol um dos refugos do narcotráfico.

Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, o ex-jogador do Palmeiras e Corinthians Freddy Rincón lembrou do tempo em que ainda era um dos principais jogadores do América de Cali, clube da cidade que passou a ter a hegemonia do tráfico de drogas após a morte de Escobar. Naquela época, a equipe sofria influência direta do seu proprietário Miguel Rodríguez Orejuela, o responsável por liberar o meio-campo para o Alviverde em 1994.

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Autor de um gol histórico pela seleção colombiana na Copa do Mundo de 1990, no empate contra a campeã Alemanha, Rincón era idolatrado em seu clube, mas apesar da moral, foi impedido de deixar o país por Orejuela, que recusou algumas propostas para liberá-lo, incluindo uma do Boca Juniors. O meio-campo, porém, lembra que nunca chegou a ter nenhum atrito com o chefe.

“Ele era o dono do time e nós os jogadores. Ele mandava, nós obedecíamos. É algo do futebol, independentemente do que fazia, ele era o chefe e nós fazíamos o que determinava. Eu sempre fui acostumado a respeitar quem manda, então obedecia às ordens porque queria ganhar títulos, era mais ou menos por aí”, afirmou Rincón.

A liberação para deixar o América veio apenas quatro anos após a disputa da sua primeira Copa, em 1994, quando representantes do Palmeiras desembarcaram na Colômbia para negociar sua contratação. Rincón afirma que já estava até desacreditado após os tantos “não” que recebeu de Orejuela.

“As propostas quando chegavam, eu pedia que me deixassem ir, mas não deixavam. Daí eu comecei a insistir para pedir para sair, e eles me deixaram ir, foi quando eu recebi a proposta do Palmeiras. Jogar fora era um sonho que eu tinha, e eles me liberaram”, lembrou o meio-campo, que reiterou que a decisão só foi tomada após o “sim” do patrão.

“Foi ele que decidiu. O clube já sabia que o Palmeiras tinha ido até a Colômbia para me procurar, e foi aí que me avisaram que tinha um clube do Brasil interessado em mim, porque eu não tinha conhecimento. Eles sabiam que eu queria ir, mas eu não acreditava que eles me deixariam sair, até porque já tinham recusado algumas outras propostas”, completou.

Perguntado sobre a série Narcos, Rincón revelou ainda não ter assistido, mas também “não ligar muito”. Para ele, a Colômbia é muito mais do que apenas o narcotráfico.

“Eu não assisto, até porque não tem conteúdo nenhum para mim, eu não vejo essas séries não. Uma coisa é uma realidade, mas que te vejam só por isso é terrível. Incomoda porque a gente tem outras coisas aqui na Colômbia, não só o narcotráfico, a Colômbia é mais que isso”, ressaltou, afirmando que, diferentemente do muitos falam, o narcotráfico jamais o atrapalhou dentro das quatro linhas.

“Dentro do futebol se ouve falar sobre esse tipo de coisa, mas nós jogadores nunca fomos incomodados por conta disso, ameaçados, não, eles sempre estiveram do nosso lado. Os jogadores de futebol não tiveram esse problema com o narcotráfico, o problema era deles e eles resolviam entre eles”, completou.

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