Renato Rezende, uma promessa olimpica e um reinado no BMX

Renato Rezende, uma promessa olímpica e um reinado no BMX

Campeão brasileiro luta por medalha nos Jogos de 2016 e cobra maior reconhecimento da modalidade

FOX Sports

Em plena Avenida Paulista, cartão postal mais caótico da cidade de São Paulo, uma bike prateada emplacada com o número 500 se destaca entre a enorme quantidade de carros. Renato Rezende, um dos maiores expoentes do BMX nacional, chega ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), um dos pontos de encontro de skatistas e de ciclistas da cidade que não volta, um pouco tímido e receoso: “É preciso ficar atento aqui em São Paulo”.

A placa 500 é a "marca registrada" do atleta, que nunca abandona sua bicicleta (Mayara Toledo)

Renato prontamente já se identifica. Sorridente, mas desconfiado, começa a entrevista contando tudo sobre a vida dele. O menino tímido é de cidade grande, Rio de Janeiro, mas mudou-se de lá ainda criança. Chegou a Minas Gerais e logo foi atraído pela brincadeira em que pequenas bicicletas voavam em alta velocidade por rampas irregulares. Assim, o atleta conheceu o BMX Race e se apaixonou: com apenas sete anos já arriscava tudo no esporte. Com o tempo, pensar em sobreviver disso veio naturalmente: “Sempre gostei muito de bike. Comecei com uma brincadeira pra pular rampa. Voar com a bicicleta! Quando vi, me tornei profissional”.

Entre jornadas enormes de treinos, competições e títulos, Renato sempre sonhou que o BMX ganhasse a força de outras modalidades tradicionais brasileiras. E o sonho começou a ser vivido quando o BMX Race entrou para o hall das modalidades olímpicas. Novas portas se abriram e o reconhecimento passou a ser maior. Já na competição de Pequim, em 2008, o atleta sentiu o primeiro insight para começar a viver um novo desafio na carreira: ao ser convidado por uma emissora para fazer comentários das disputas ao vivo, ele não pensava mais em outra coisa. “Quando vi aquilo, quis muito participar. Criei meu próprio desafio: participar da próxima Olimpíada”.

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Com Renato, missão dada é missão cumprida – nos Jogos de Londres, em 2012, ele estava entre os esportistas que representaram o Brasil na modalidade ciclística. Conseguiu entrar para a Seleção e alimentava a esperança de uma medalha. Uma queda, contudo, adiou em mais quatro anos o sonho de eleger-se campeão.

“Na primeira bateria eu fiquei em segundo. Estava classificando. Já na segunda, caí e meu ombro se deslocou”, conta o atleta, emocionado com as recordações. Para ele, este foi o pior tombo da carreira. Não pelos ferimentos, mas, sim, pela eliminação. “Não foi nem pela dor. Eu estava tranquilo até o médico me dizer que eu não poderia voltar para a competição. Ter que ficar de fora foi muito triste”.

Passado o momento de dor e lamento, Renato renovou os objetivos e tem se dedicado aos Jogos de 2016. Quer ser campeão na cidade natal. “Estou treinando muito!”, responde ao ser questionado sobre a preparação. “O foco é 100%. Todo dia quando me levanto penso nisso. Espero chegar no meu melhor lá”.

Destinado, Renato treina hoje para destacar-se na Olimpíada de 2016. Prometendo medalhas, o atleta sonha vencer em sua cidade natal, Rio de Janeiro (Mayara Toleto)

Para alcançar o objetivo, treinamento e dedicação não faltam para o atleta, que há alguns anos mudou-se de Minas para o interior paulista, em Paulínia. “Pego o máximo de corridas possíveis. Periodização”. Humilde, Renato não se esquece de agradecer quem tanto lhe apoia: “Deixo tudo com meu técnico, Daniel Jorge. Ele cuida de mim”. Não se esquece também dos patrocinadores. “Se hoje posso competir, devo muito ao Comitê Olímpico Brasileiro, ao Programa Bolsa Atleta e às marcas que me prestam apoio (Nissan, Neonutri, Oakley, Troy Lee Designs e PRO1 Sports, entre outras)”, diz Renato, que reconhece a importância dessas parcerias.

Mesmo tendo voltado para casa sem medalhas na Olimpíada de 2012, a lista de títulos de Renato faz justiça à determinação. Entre as principais conquistas estão o 6º lugar na Copa do Mundo BMX, 2º na competição Red Bull R. Evolution, bronze nos Jogos Sul-Americanos, 4º colocado na Disney Cup e, recentemente, o primeiro lugar da Copa do Brasil.

Mas ainda há ainda um sonho que Renato idealiza: um país onde o BMX tenha mais reconhecimento. Por todas as conquistas, Renato não vê a consideração pública que acredita que merece: “A gente não tem espaço na mídia. Sempre quando falam do nosso esporte falam um pouquinho.”

Nas costas do campeão, a frase 'The King" resume e destaca todo o talento de Renato (Mayara Toledo)

Entretanto, no universo do BMX é unânime: Renato é o melhor na categoria. Inspira novas gerações e é idolatrado por velhos conhecidos, como pelo colega de manobras Connor Fields. Os sinais despretensiosos da vida deram voz a uma simples estampa do moletom que Renato vestia dizendo: “The King”. Sem perceber, ele sorriu quando chamamos atenção para o que a estampa dizia. Riu mais ainda ao compreender o sinal. Não quis se engradecer, mas a trajetória indica que Renato Rezende está no caminho do reinado. Mesmo sem a exuberância ou o luxo que a realeza carrega, o menino de 22 anos está cada vez mais perto de ser o rei do BMX.

(Reportagem de Júlia Müller e Mayara Toledo)

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