Incidentes fora de campo são marcas da Libertadores

Polêmicas fora das quatro linhas fazem parte da vida do torneio sul-americano

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A morte do boliviano Kevin Beltrand Espada, de 14 anos, na última quarta-feira (20 de fevereiro), no jogo entre Corinthians e San José , na cidade de Oruro, na Bolívia, foi o mais grave e triste episódio de diversos incidentes fora de campo que já aconteceram na Copa Bridgestone Libertadores. O torneio é famoso pela raça dos jogadores para conseguirem a vitória, mas os atletas às vezes precisam usar o sangue, literamente, para conseguir o título.

São comuns os jogadores de times adversários entrarem em campo com uma forte escolta policial para não serem atingidos por objetos jogados pela torcida do clube da casa. Ao bater escanteio, o atleta visitante precisa ser protegido por escudos policias para tentar concluir a cobrança.

E quase sempre, a Conmebol, comissão que organiza as competições sul-americanas, pouco pun os clubes e responsáveis por atos de vandalismo.

No Brasil não é muito diferente. Já tivemos muitos casos tristes de torcedores que não respeitaram o clube e os jogadores adversários.

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Confira alguns dos tristes episódios que já aconteceram na Copa Libertadores:

Santos x Peñarol (URU) – Libertadores de 1962 -“Noite das Garrafadas”

O Santos tinha vencido o primeiro jogo da final da competição por 2 a 1 e precisava de no mínimo um empate na Vila Belmiro para levar o título. Na segunda partida, o Peixe ganhava pelo mesmo placar do jogo de ida quando ocorreu a primeira grande polêmica do dia: O Peñarol marcou o gol de empate após cobrança de escanteio. Gilmar, goleiro do Alvinegro, reclamou que teriam jogado areia em seus olhos antes do lance. O incidente inflamou a torcida.

Nesse momento, como contaram os jornais da época, uma garrafa teria sido arremessada em campo e atingido o bandeirinha chileno, Massaro. A partida teve que ser paralisada por mais de uma hora para o atendimento do auxiliar.

Após o incidente, o Peñarol marcou o terceiro gol que deixava o saldo igual e levaria para uma terceira partida de desempate. O Santos pressionou até o final e, aos 22 minutos, Pagão deixou tudo igual no placar: 3 a 3.

Quando tudo já encaminhava para um final feliz para o alvinegro, veio a surpresa. O gol, que daria o título para o clube da Baixada, não foi anotado na sumula do jogo. O árbitro chileno, Carlos Robles, alegou que a partida havia terminado, oficialmente, aos 51 minutos, mas que continuou até o tempo regulamentar por medo de sofrer represália da torcida. O evento ficou marcado como a “Noite das Garrafadas”.

América (MEX) x São Caetano – Libertadores 2004 – “O carrinho de mão”

Depois de chegar a final da Libertadores do ano anterior, o São Caetano entrou forte para conseguir o titulo do torneio.  Nas oitavas de final, o Azulão eliminou o América no México.

A partida começou a ficar quente depois que o camisa 10 do América, Cuauhtémoc Blanco, acertou uma cotovelada no lateral Anderson Lima.

Depois da vitória, os jogadores do São Caetano ficaram em campo comemorando a classificação. Revoltados com a atitude, os jogadores e torcedores do clube mexicano partiram para cima dos atletas do time brasileiro, que tiveram que se trancar no vestiário para não se machucarem.

O que mais chamou a atenção foi que um carrinho de mão foi lançado na tentativa de agressão aos atletas brasileiros.

Corinthians x River Plate (ARG) – Libertadores 2006 – “A revolta da Fiel”

O River Plate já havia eliminado o Corinthians na Libertadores de 2003 e conseguiu repetir o feito três anos depois. Jogando em casa, no estádio do Pacaembu, o Timão perdeu para os argentinos por 3 a 1 despertando a irá de sua Fiel torcida.

Depois do terceiro gol do River, os torcedores do Corinthians tentaram invadir o campo quebrando um dos portões que dividem o acesso ao gramado do alambrado. Algumas pessoas conseguiram invadir, mas foram contidas pela segurança e por próprios jogadores corintianos. Por sorte, a polícia conseguiu evitar uma invasão maior.

Clubes do México – Libertadores 2009 – “A gripe suína”

Em 2009, a gripe H1N1 (gripe suína) assustou o mundo todo matando diversas pessoas de vários países. O México era um dos principais países que tinha o foco da doença.

A Conmebol, então, proibiu jogos em território mexicano por causa da gripe. Nesta época, San Luis e Chivas Guadalajara estavam classificados para as oitavas de final da Libertadores. Seus adversários, Nacional (URU) e o São Paulo, se recusaram a viajar para o México com medo de ter algum membro de seu elenco contaminado.

Com isso, os dois clubes mexicanos abandonaram a competição, como forma de protesto. “Não creio que estamos perdendo. Hoje quem ganha é o México, simples assim”, disse Decio de María, secretário geral da Federação Mexicana de Futebol da época.

No ano seguinte, os dois clubes voltaram a disputa da Libertadores, entrando na fase de oitavas de final.

Santos x Cerro Porteño – Libertadores 2011 – “Pirocóptero na cabeça de Muricy”

Na segunda partida da semifinal, Santos e Cerro Porteño empataram por 3 a 3. Porém a torcida paraguaia fez de tudo para perturbar a vida dos santistas. Primeiro eles soltaram fogos de artifício, para dificultar o descanso do elenco santista. Isso é algo comum em partidas decisivas na Libertadores.

Durante o jogo, os torcedores paraguaios jogaram pedras e garrafas de urina no banco de reserva do Santos. O técnico Muricy Ramalho foi atingido na cabeça por um “pirocóptero”, antigo brinquedo de criança que voa, e precisou de atendimento médico.

Além disso, três torcedores ficaram feridos e foram atendidos em hospitais próximos.

Santos x Bolívia (BOL) – Libertadores 2012 – “Fruta no Neymar”

O Santos enfrentou o Bolívar (BOL) na primeira partida das oitavas de final da Libertadores 2012. Na primeira partida, na Bolívia, o clube brasileiro perdeu por 2 a 1.

Porém, os santistas foram muito mal tratados. “Jogam banana, toma uma pedrada e não pode reclamar? A Conmebol não toma atitude, jogaram banana no Neymar, que é uma coisa horrível. Então, jogar aqui na Bolívia é triste. Eles nos trataram muito mal”, reclamou Muricy.

O mais curioso aconteceu com Neymar. Quando ia fazer uma cobrança de escanteio, a torcida jogou uma mexerica no camisa 11 do Peixe que caiu machucado. Ele precisou de atendimento médico, mas continuou o jogo normalmente.

Corinthians x Cruz Azul (MEX) – Libertadores 2012 – “Objetos em Alex”

O Corinthians enfrentou o Cruz Azul (MEX) na primeira fase do Libertadores 2012. O jogo foi 0 a 0, mas os jogadores do Corinthians saíram reclamando da atitude dos torcedores.

Parte da torcida jogou muitos objetos na equipe corintiana durante todo o tempo. “Isso é feio e não pode acontecer. Espero que a torcida do Corinthians tenha visto, para não fazer. É um tremendo mau exemplo. Que encham o Pacaembu na quarta-feira, mas sem fazer isso”, disse o atacante Emerson Skeik.

O mais revoltado era o meia Alex, que se recusou a bater um escanteio com proteção de escudos de policiais. “Estavam jogando moedas. O problema não é quando atiram papel, copos, mas sim quando mandam pedras. Eu não posso ficar exposto. Eles (jogadores do Cruz Azul) reconhecem que é errado e desnecessário, estavam pedindo para parar. Torcedor é complicado, não dá pra controlar”, disse o jogador do Corinthians.

Santos x Corinthians – Libertadores – “Capacete em Cassio”

O jogo entre Santos e Corinthians, na Vila Belmiro, ficou quente dentro e fora de campo. Enquanto o peixe buscava o empate dentro das quatro linhas, os torcedores entravam em confronto com a polícia na arquibanda.

O que mais chamou atenção foi quando um torcedor do Santos conseguiu pegar o capacete de um policia e tentou joga-lo em cima do goleiro corintiano Cassio.

(Texto Glauber Faria)

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