Blog do Simon: racismo condenado

Além do futebol de Fluminense e Bahia, Maracanã foi palco de denúncia contra a discriminação racial

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O final de semana registrou uma situação notável à beira do gramado do mais famoso estádio de futebol do Brasil. Me refiro ao encontro de Marco Aurélio de Oliveira, o Marcão, e Roger Machado, que trocaram um abraço antes do inicio da partida entre Fluminense e Bahia, na noite de sábado (12 de outubro), no Maracanã. Eles são os únicos treinadores negros em atividade na Série A do Brasileirão. Aproveitaram a oportunidade para levantar a bandeira contra o racismo na nossa sociedade.

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Em lúcida e didática entrevista após o jogo, o gaúcho Roger, que comanda o Bahia, falou sobre o assunto e disse, entre outras coisas: "Não devia ter uma repercussão grande dois treinadores negros se enfrentando na área técnica. Para mim, está aí a prova que existe o preconceito. Chama a atenção que temos mais de 50% da população negra, e a proporcionalidade não se representa. A gente tem que refletir e se questionar. Porque a população carcerária, 70% dela é negra, porque quem mais morre é o negro no Brasil? Quantas mulheres negras têm comentando esporte? O preconceito no Brasil é estrutural. Vivemos um preconceito estrutural, institucionalizado. A culpa é do Estado. A estrutura social é racista”, declarou, na entrevista coletiva.

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A análise do comandante do Bahia é exata. O racismo é uma praga que corrompe a nossa sociedade desde os tempos do Brasil Colonial. É fonte de uma infinidade de suplícios físicos, morais e econômicos para a maioria negra da nossa população. A manifestação nobre dos dois treinadores foi extremamente oportuna por ocorrer num momento em que as políticas públicas de reparação das injustiças e resgate da dignidade e da autoestima dos negros, implementadas nos últimos 15 anos, desde 2004, estão sendo dinamitadas.

Roger e Marcão deram visibilidade a uma grave e revoltante chaga que precisa ser permanentemente denunciada e combatida até ser extirpada do nosso tecido social. Como observou Machado, negar e silenciar é confirmar o racismo.

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Crédito da foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

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