Blog do Simon: o brilho do futebol não pode ser ofuscado pelas trevas do preconceito

Precisamos lutar contra a ignorância das pessoas dentro e fora das quatro linhas

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Uma das chagas sociais mais cruéis e doloridas que atormentam a sociedade brasileira é a intolerância através da humilhação e o desprezo de outro ser humano por causa da sua origem étnica, raça, sexo, ou idade. Sendo a manifestação esportiva mais expressiva da nossa cultura, o futebol não poderia ficar, e não está, imune à presença da praga da discriminação social. Na Itália, mais um caso de racismo aconteceu, desta vez com o lateral Dalbert, da Fiorentina, em jogo contra a Atalanta. O sistema de som do estádio foi acionado e o jogo recomeçado três minutos depois.

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Segundo levantamento feito pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol, as ocorrências de racismo no futebol brasileiro vêm crescendo - foram 20 em 2014 (início monitoramento), 35 em 2015, caíram para 25 em 2016 e subiram para 43 em 2017 e 44 em 2018. Em 2019, até o momento foram registrados 33 casos.

Creio que o fator principal que ajuda a entender o aumento desta explosão de incivilidade nos estádios de futebol é a polarização ideológica que o país vivencia nos últimos anos, fenômeno que deteriora o debate público de questões de interesse nacional - sejam áreas da política, economia ou jurídica - e contaminou os campos da ética e da moral. Com isso, os preconceituosos perderam o pudor e sentem-se livres e à vontade para expressar de forma estridente e raivosa suas frustrações e preconceitos, seja através das redes sociais ou nas arenas esportivas.

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Atenta a este grave problema social, que não é exclusivo do Brasil, a FIFA, através do seu Código Disciplinar, endureceu o jogo contra o racismo aumentando as punições. Para chegar neste ponto o árbitro deve cumprir três etapas: solicitar um anúncio ao público para exigir o fim das manifestações, suspender a partida até que as atitudes cessem e, por fim, abandonar o campo de jogo definitivamente.

No Brasil, após a orientação da FIFA, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva alertou os clubes que casos de discriminação são passiveis de punição com multa e perda de pontos, de acordo com o artigo 243 - G do Código Brasileiro de justiça desportiva: "praticar ato discriminatório desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência". Que assim seja, cumpra-se a lei. O brilho do futebol não pode ser ofuscado pelas trevas do preconceito e da ignorância.

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(Crédito da imagem: Divulgação CBF)

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