Blog do Sartori: a ousadia de Jorge Jesus e Gabigol pode fazer mal para o Flamengo?

Português crítica técnicos brasileiros e artilheiro “ironiza” imprensa no CT Ninho do Urubu

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Uma imagem flagrada nesta quarta-feira (11 de setembro) no CT Ninho do Urubu, pelo cinegrafista do FOX Sports Maurício Bandeira, gerou risadas entre os profissionais que cobriam o treino do Flamengo. No momento em que a assessoria de imprensa informou que as atividades seriam fechadas, o artilheiro Gabigol deu ‘tchauzinho’ e fez gesto com as mãos como se tivesse “enxotando” os jornalistas. Todos que estavam presentes levaram a atitude na brincadeira. Mas seria mesmo uma “zoação” ou esse é o sentimento do atacante flamenguista de 23 anos?

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Que Gabigol é craque, não tenho dúvida, mas algumas atitudes do atacante deixam no ar um certo “salto alto” de quem atravessa um espetacular momento, o melhor da sua carreira. Nessa temporada, o centroavante tem 29 gols em 39 jogos. Ele é o maior artilheiro do país em 2019. Acho até que Tite deveria convocá-lo para o “matador” fazer os tentos que não têm saído na Seleção.

Em sua passagem pela Inter de Milão, em 2016, o atacante foi criticado pelo então técnico do time italiano, o ex-zagueiro Frank de Boer. Segundo o treinador holandês, Gabigol tinha atitude e comportamento “de estrela”. E foi além: “Ele tem de se olhar no espelho. Tem de demonstrar a cada dia no treinamento que é o melhor ou que pode ser um bom jogador. Ele só quer receber a bola sem correr. Ganhou o ouro olímpico e nada mais”, detonou Boer.

Recentemente o jogador pedalou sobre Felipe Melo na vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 a 0, no Maracanã. Lances como esse acho normal, é do jogo. Quem tem habilidade tem mesmo que irritar o adversário e usar as ferramentas para buscar o gol. Gabigol tem incomodado muita gente.

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No comando da equipe rubro-negra, o experiente treinador português Jorge Jesus. O comandante do Flamengo, líder isolado do Brasileirão, está há três meses no Brasil e entrou numa briga desnecessária com os treinadores do país. Ele falou algumas verdades que incomodaram. Em entrevista à revista “So Foot”, da França, Jesus fez uma análise sobre o futebol brasileiro e apontou um motivo que seria a “muleta” e segurava o emprego de alguns técnicos defasados.

“O treinador brasileiro está ultrapassado taticamente. Sabe por quê? Porque sempre tiveram grandes jogadores e esses resolvam os problemas táticos sozinhos. Os treinadores brasileiros tinham menos necessidade de criar ideias coletivas, por causo disso estão ultrapassados”, afirmou Jesus.

"O treinador brasileiro já foi um pouco ultrapassado em tudo que diz respeito ao treinamento. Você acha que isso acontece por quê? Porque sempre tiveram grandes jogadores e esses resolvem os problemas táticos sozinhos. Os treinadores não foram obrigados a pensar e criar ideias coletivas. E acabaram sendo ultrapassados. Agora está começando a mudar. Eles querem todos vir para a Europa para entender nossa metodologia de treinamento. Mas as crianças brasileiras continuam a jogar na rua, e é na rua que a gente cria os talentos", declarou Jorge Jesus na ocasião.

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A entrevista foi concedida antes de ele chegar ao Brasil, quando ainda era treinador do Al-Hilal, da Arábia Saudita, e foi feita pelo jornalista português André Piris, em Lisboa, no ano passado. O depoimento de Jesus repercutiu mal no Brasil. Ainda mais num país com técnicos corporativistas, desunidos, e que criticam o fato de estrangeiros europeus terem livre acesso para trabalhar no país e eles não.

Cuca, técnico do São Paulo, em entrevista coletiva de última hora, na manhã desta quinta-feira foi o primeiro treinador a falar sobre a entrevista polêmica e não quis rebater o português. “Seria muito fácil eu vir aqui e rebater em cima do que ele falou. Temos que separar as coisas. Essa entrevista que ele deu lá na Arábia, no ano passado. Essa pergunta poderia ser feita ao Jorge Jesus. Agora que ele tem um conhecimento maior do futebol brasileiro, dos treinadores, mesmo que ainda não tenha enfrentado todos. Agora ele vai poder dizer se teve dificuldade, se os técnicos estão ultrapassados”, disse Cuca.

Velha ou não, a entrevista de Jorge Jesus incomodou. A ponto do treinador do São Paulo se defender sobre ser ou não ser defasado. “Penso que ele é um cara que tem ética, respeito. Ele foi muito bem recebido no Brasil por todos nós. Acho que o sentimento dele hoje não seria esse. Lógico que temos muito a evoluir. Mas não me sinto ultrapassado. Sigo tudo que é jogo, tudo que é treinamento. Se você comparar com as coisas lá fora, você vai ver que não é ultrapassado, o que muda são as estratégias”, afirmou Cuca.

A verdade é que em pouco tempo no Brasil, Jorge Jesus conseguiu o que muitos daqui não conseguiram nos últimos anos: levar o Flamengo a liderança do Campeonato Brasileiro, e as semifinais da Copa Libertadores, algo que o clube não conseguia desde 1984.

Caro leitor, as atitudes do português Jorge Jesus e do atacante Gabigol seriam “salto alto”?

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(Crédito da imagem: Alexandre Vidal/ Flamengo)

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