Baú do Micheletti: um craque, a festa junina e o facho de luz

Em 1983, a Portuguesa anunciava a contratação de Mendonça, jogador que nos deixou nesta última sexta-feira (5)

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O ano era 1983. Meus pais me levaram a uma festa junina muito tradicional da cidade de São Paulo: era a da Portuguesa de Desportos.

Tinha ido poucas vezes ao Canindé, apesar de morar relativamente próximo ao clube da colônia lusitana. À época, nós residíamos na Vila Guilherme e estávamos prestes a seguir para o bairro vizinho da Vila Maria, ambos na zona norte da capital paulista.

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A Portuguesa era um time muito respeitado. Procurava um substituto para Enéas, o craque da década anterior. E como presente para a torcida anunciou naquele período festivo a contratação de um jogador extremamente habilidoso e criativo: Mendonça.

Camisa 8 como Enéas em muitas ocasiões, Mendonça era um meia com alma de 10. Craque destacado no Botafogo, autor de gols antológicos como o de 1981 entortando Júnior, Mendonça era muito cobrado pela falta de títulos no Glorioso e, por isso, decidiu mudar de ares.

A Lusa tinha dinheiro em caixa. Os legítimos portugueses, financeiramente bem abastecidos, ajudaram na contratação do jogador, que era cobiçado por várias equipes brasileiras.

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Eu disse que estava na Festa Junina da Portuguesa, mas não havia como ignorar o futebol naquele momento. O vinho quente esquentou os participantes e o assunto Mendonça era ouvido em todas as barraquinhas. Algumas já vendiam as belas camisas com listras horizontais vermelha e verde (da Adidas) para comemorar a chegada do craque.

A Portuguesa sonhava com títulos. Mendonça também, afinal não tinha levantado taça com a camisa do Botafogo.

Mendonça jogou pela Portuguesa entre 1983 até 1985, quando fora contratado pelo Palmeiras. Foi vice-paulista pelo Verdão em 1986 (o Palmeiras foi surpreendido pela Inter de Limeira na final). O meia jogou ainda no Santos (semifinalista estadual em 1987), na Inter de Limeira, no Grêmio, no Bangu e em outros times. Nunca teve o prazer de gritar campeão como profissional.

Quando encerrou a carreira, ele lutou contra o alcoolismo. Venceu algumas batalhas, mas perdeu outras tantas.

Mendonça era craque, mas não conseguiu driblar a depressão, um adversário que “rouba a bola” de forma desleal e silenciosa.

Curioso é que Mendonça foi um gênio da bola sem alarde. Foi quieto e não teve marketing. Grande ídolo, mesmo sem títulos. Contrariou a lógica dos gramados e da vida. Para muitas torcidas será respeitado. E especialmente para o botafoguense sempre será visto um “Facho de Luz” em momentos tão difíceis. Que descanse em paz!

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Crédito da foto: reprodução/ Instagram/ @Botafogo 

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