25 anos sem Senna: tetra da Seleção nos Estados Unidos foi euforia em meio a dor

Helena Calil conta de suas memórias sobre a morte de Ayrton Senna, no mesmo ano em que a Seleção Brasileira conquistou o tetracampeonato mundial

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Foi no dia primeiro de maio de 94 em que eu senti, pela primeira vez, um soco no estômago. Que acarretou em intermináveis lágrimas. Uma dor inexplicável, coletivamente sentida, e que se transformou em um enorme vazio, principalmente aos domingos de manhã. Nos meus recém 9 anos, descobri pela voz do repórter Roberto Cabrini o que era perda. Mas foi com essa mesma idade, poucos meses depois, que eu entendi o que era reconforto. A imagem do título mundial é o Baggio chutando pra fora; é o Galvão com os óculos tortos, abraçado com o Pelé, gritando “É Tetra”. Mas pra mim também é essa: a dos jogadores segurando a faixa: “Senna, aceleramos juntos. O tetra é nosso”. Eu não parava de ler. Os jogadores desfilavam com aquilo pelo campo e eu estava perplexa colada na TV, completamente fascinada. Era uma mistura inédita de emoções: no momento de euforia, eu relembrei a dor, mas não daquela maneira dura como eu havia sentido em maio. A memória do meu ídolo tinha voltado com outro tom: o de carinho. É Heleninha, naquele momento você aprendeu a importância de uma homenagem. Pois é, obrigada, Esporte, por mais essa!

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