“Não adianta espernear”: Boca X River é o Real X Barça das Américas

Neste sábado (10 de novembro), os grandes rivais argentinos se enfrentarão na maior final de todos os tempos da Conmebol Libertadores, com transmissão ao vivo do FOX Sports

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Não adianta espernear. A maior final da história da Libertadores é a decisão que começa neste sábado (10 de novembro) na Bombonera, entre Boca Juniors e River Plate. Gre-Nal tem mesmo muita rivalidade (creio ser a maior do Brasil), Fla-Flu é charmoso, “você não sabe o que é um Corinthians x Palmeiras”, amigos me dizem que Atlético-MG x Cruzeiro é algo mesmo especial, Flamengo x Vasco é o Clássico dos Milhões, embora tenha sido superado pelo Majestoso Corinthians x São Paulo (segunda e terceira maiores torcidas do país), Palmeiras x São Paulo é ódio, guerra e inimizade... Tudo isso tem muito valor e história, mas perde do Superclásico na América.

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Não tivemos ainda uma final entre Real Madrid e Barcelona na Champions League, mesmo com os dois gigantes espanhóis sendo figurinhas carimbadas nas semifinais do principal interclubes europeu. E temos agora a felicidade de acompanharmos um Superclásico em uma final de Libertadores. Não à toa essa decisão está sendo chamada de Superfinal. O campeonato nacional na Argentina historicamente é disputado por pontos corridos, assim tivemos apenas uma final mesmo entre Boca e River: a decisão de 1976, vencida pelo time xeneize por 1 a 0, gol de Rubén Suñé. No Brasil, tivemos muito a cultura de finais até a instauração dos pontos corridos em 2003 no Brasileiro. Temos lembranças de grandes embates em finais entre os nossos grandes clubes brasileiros. Isso já não acontece na Argentina. E, para piorar, a Libertadores durante quase toda a sua longa e rica história evitou finais entre times do mesmo país. Boca x River já foi semifinal da disputa, mas decisão só agora acontece. É algo épico!

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Os clubes brasileiros não têm a popularidade dos grandes argentinos nos outros países sul-americanos. O idioma ajuda muito nisso, assim como a mídia argentina. Assim como no Brasil há reclamações em partes do Brasil de uma superexposição dos times do eixo Rio-São Paulo nas TVs, nas rádios e nos jornais, algo parecido ocorre com as equipes argentinas nas nações vizinhas. Os treinos e os jogos de Boca e River, sobretudo, dominam o noticiário, os debates, as discussões. Muitos bolivianos, paraguaios, peruanos, colombianos e equatorianos crescem com o sonho de jogar na Argentina, não só na Europa. Desde os primórdios os argentinos estão mais voltados para a América do que nós. É uma questão cultural. Assim como há grande influência de Inglaterra, Itália e Espanha na Argentina, há muita influência argentina nos demais países da América do Sul que falam espanhol. No futebol isso se vê claramente nas torcidas.

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A Conmebol talvez quisesse a final Boca x River ano que vem, quando teremos a primeira decisão em jogo único. Essa acontecerá em Santiago, que receberia certamente uma invasão de torcedores dos dois gigantes argentinos, além de atrair bastante o público local. O mesmo se daria em quase todas as grandes cidades do continente, inclusive no Brasil. Criamos, compreensivelmente, a ideia de que Boca e River são as maiores instituições esportivas da Argentina e que ambos dão peso a qualquer competição. Os dois têm grife, são pontos turísticos em Buenos Aires.

Para este ano, Boca e River investiram pesado e chegaram à decisão com algumas polêmicas extracampo, acusações de favorecimento aqui e ali, especialmente no Brasil. Mas ambos jogaram bola, ainda mais quando mais precisaram. A dupla tem bons elencos e competentes treinadores, dois homens que já foram muito vitoriosos como jogadores. O Boca não é só a camisa, a Bombonera e a torcida. O River não é uma galinha pipoqueira que afina nas decisões. Os dois clubes inverteram nesta década seus títulos dominantes. O Boca, rei de copas com 18 títulos internacionais, não vence uma disputa do tipo desde 2008, uma Recopa. Nesse período, o River ganhou cinco taças internacionais oficiais (uma Libertadores, uma Sul-Americana, duas Recopas e uma Suruga). Os Millonarios, os maiores campeões da Argentina, venceram apenas um campeonato nacional nos últimos dez anos (em 2014). Enquanto isso, o Boca faturou quatro taças do ‘Argentinão’ nesta década (2011, 2015, 2017 e 2018). Os xeneizes assim se aproximaram no número de títulos do River na Argentina (36 a 33), e o River vai tirando a diferença para o Boca em taças internacionais (18 a 10).

Quem ganhar a Libertadores deste ano, terá muito mais que o maior título da América. Terá o maior motivo de gozação sobre o arquirrival por toda a vida. Esta final não termina no outro sábado no Monumental. Esta final não tem preço e não tem fim. Que desfrutem todos!

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Crédito Foto: EFE 

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