Rodrigo Bueno: Mano honra escola gaúcha, mas peca no caráter

Relembrando algumas polêmicas passadas, Rodrigo Bueno questiona a postura do treinador cruzeirense, que conquistou seu terceiro título da Copa do Brasil

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Mano Menezes é o personagem do momento: honra a vitoriosa escola gaúcha de treinadores, mas peca muitas vezes no caráter. Primeiro técnico bicampeão de forma genuína na Copa do Brasil, o comandante do Cruzeiro comprovou ainda mais que os técnicos do Rio Grande do Sul são reis do mata-mata no Brasil. Foi o 12º título de técnico gaúcho na Copa do Brasil em 30 edições (40% das conquistas). Se fizermos essa conta na era dos pontos corridos no Brasileiro, vemos que os gaúchos perdem muito em desempenho (venceram apenas duas das 15 edições da disputa, com 13,3% dos títulos nessa fase “europeia” do Nacional). Mano exemplifica bem essa veia gaúcha copeira. Ganhou pela terceira vez a Copa do Brasil e já é de forma isolada o segundo maior campeão do torneio, uma taça apenas atrás do veterano Luiz Felipe Scolari, favorito neste ano a ganhar o Brasileiro Felipão é discípulo do “Capitão” Carlos Froner, treinador que inspirou grande parte dos treinadores gaúchos. Militar, ele era adepto de uma forte marcação, times muito aplicados e aguerridos, com forte teor motivacional e valorização da força física. Mano tem muitas das características dessa vertente da escola gaúcha de técnicos (a outra, mais vistosa, leve, solta, “bonita”, com mais foco na qualidade técnica e boa troca de passes, tem como mentor Ênio Andrade e hoje é mais seguida por Renato Gaúcho).

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Mano foi apenas um dos tantos técnicos gaúchos a passar pela seleção brasileira. Desde o fim da Copa de 2006, quando Carlos Alberto Parreira deixou a equipe canarinho, só treinadores do Rio Grande do Sul treinaram o Brasil (Dunga, Mano, Felipão e agora Tite, com contrato renovado até a Copa do Qatar em 2022). Vivemos mesmo um período de domínio dos gaúchos na prancheta nacional. Mas essa competitividade gaúcha tão forte nos mata-matas algumas vezes extrapola o limite da esportividade. Felipão, que hoje está em uma fase paz e amor digna de elogios, já viu seu staff jogar bola em campo para parar contra-ataque do adversário, por exemplo. Mas o competente Mano Menezes, creio eu, já superou todos os seus conterrâneos em atitudes que revelam caráter de forma negativa. Muitos torcedores e amantes do futebol ficam incomodados com as repetidas críticas à arbitragem que Mano faz e com o silêncio dele quando sua equipe é beneficiada pelo apito. Nas últimas semanas, ele bradou forte contra um favorecimento ao Boca Juniors na Libertadores (expulsão de Dedé na Bombonera com a ajuda do VAR), mas eu pouco ouvi ele falar sobre o prejuízo que o Cruzeiro teve em Itaquera na final da Copa Brasil. Creio que por ter sido campeão, ainda mais em cima de um time pelo qual ele tem muito carinho, Mano deixou passar o fato de o Corinthians ter tido um pênalti mal marcado a seu favor com a ajuda do VAR na partida mais valiosa da história do futebol brasileiro (pela premiação em jogo). Estava alegre e sorridente, compreensivelmente, com o valioso título nacional, um bi-hexa histórico, mas me lembrou mais uma vez a impressão que tenho do Mano: ele pensa só nele e em seu time e se apega em qualquer vantagem para triunfar, não se importando nada com os meios, apenas com os fins.

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Um caso que nunca esqueço e que lembrarei agora por ser muito revelador para mim foi o do pouco conhecido zagueiro Carlinhos. Mano já era um técnico consagrado e treinava o Corinthians. Carlinhos defendia o humilde Guaratinguetá. Em duelo pelo Campeonato Paulista de 2008, o time de Mano fez valer seu poderio e favoritismo e ganhou do pequeno, mas Mano teve uma atitude pequena, lembrando Carlinhos de acidente automobilístico de 1996 que teve o zagueiro como pivô. O jogador acusou Mano de tê-lo chamado de “assassino”. “Ele me chamou de assassino por causa de um acidente automobilístico em 1996 em Caxias do Sul quando eu jogava no Juventude. Mostrou ser uma pessoa sem caráter”, disse na época Carlinhos. Mano admitiu que fez referência no jogo a esse episódio, mas diz não se lembrar de ter usado a palavra “assassino”. A questão é por que Mano precisava rememorar isso num jogo que pouco valia contra um time pequeno pegando tão pesado contra um humilde atleta adversário?

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Ainda como técnico do Corinthians, em um clássico contra o São Paulo no Pacaembu, Mano quis humilhar o auxiliar Milton Cruz por sua função. “Você é um interino, eu sou treinador.” Mano ganhou aquele jogo em 2009 por 3 a 1, o adversário estava em crise e com um técnico interino. Mesmo assim, Mano conseguiu bater boca com o oponente mais modesto. Muricy, que tinha saído do São Paulo, teria problemas com Mano alguns anos depois, em 2014. O Corinthians de Mano fez uma campanha ruim no Campeonato Paulista e não se classificou para o mata-mata. Insinou que o São Paulo de Muricy havia entregado o jogo para o Ituano no Morumbi para eliminar o Corinthians, o que revoltou Muricy. “Não se classificaram não por causa do São Paulo. Os caras vão na reunião de treinadores, falam de bom senso e agora vêm e põem em dúvida. Não pode ser assim, não sou igual aos outros não, não sou ruim não. Parece que agora todo mundo é nivelado por baixo, que ninguém presta, mas eu tenho minha vida muito limpa para pôr em dúvida. Não dá e não aceito esse tipo de coisa. Posso aceitar qualquer tipo de coisa, menos isso de colocar minha honra e minha pessoa em dúvida”, reclamou Muricy no programa “Bem, Amigos” após o episódio. O Corinthians empatou com a Penapolense sem gols e o São Paulo perdeu no Morumbi do Ituano, que depois mostraria tanto valor que acabou sendo campeão estadual daquele ano (2014). Mano disse ao ser eliminado daquele Paulista que “os deuses do futebol estão vendo tudo” e que “cada um sabe a consciência que coloca no travesseiro para dormir.” Detalhe: Mano Menezes era o técnico do Corinthians em 2009 e foi expulso no jogo da penúltima rodada contra o Flamengo, uma partida que foi levada para Campinas e que gerou suspeitas de “entrega” do jogo para prejudicar Palmeiras e São Paulo na luta pelo título brasileiro daquele ano.

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Até mesmo em mata-mata com a queridinha Chapecoense, na Copa do Brasil, Mano Menezes mostrou pouco espírito esportivo. Em uma cobrança de lateral de Reinaldo para a área, Mano intencionalmente atrapalhou a jogada. “Não, não foi sem querer não. Eu estava na minha área técnica e fiquei na linha para atrapalhá-lo um pouquinho. E tenho o direito de fazer”, admitiu Mano. Não acho que ele tenha o direito de fazer isso, mas tenho certeza de que essa atitude o diminui como esportista, revela muito desse seu caráter competitivo e conflituoso. É de longe um dos treinadores mais capazes do futebol brasileiro, mas vive procurando inimigos na arbitragem e na imprensa, sem necessidade. Tem conquistado antipatia quase que na mesma proporção que vai conseguido títulos. Seu gesto diante do auxiliar Gustavo Schelotto após a eliminação do Cruzeiro diante do Boca Juniors é mais uma mostra recente do seu comportamento discutível. O que deveria ser um cumprimento virou uma provocação. Por mais que Mano possa ter ficado desgostoso com a arbitragem do jogo de ida na Argentina, ele não precisava reagir daquela forma como anfitrião após seu time não ter conseguido (mesmo com Dedé absolvido em campo) vencer o rival argentino. “Você vai comemorar? Não tem vergonha?”, bradou Mano partindo na direção do irmão gêmeo do técnico do Boca.

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Parabéns pelo técnico que você é, Mano, de verdade. Mas, com todo esse histórico de polêmicas, eu pergunto, Mano: não tem vergonha?

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Estado dos técnicos campeões da Copa do Brasil
- Rio Grande do Sul: 12
- Rio de Janeiro: 8
- Minas Gerais: 4
- São Paulo: 3
- Paraná: 2
- Bahia: 1

Estado dos técnicos campeões dos pontos corridos
- São Paulo: 5
- Rio de Janeiro: 4
- Minas Gerais: 3
- Rio Grande do Sul: 2
- Paraná: 1

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Crédito Foto: Divulgação/Twitter/@Cruzeiro

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