Eugênio Leal aponta os favoritos, as zebras e quem não conquistará a Libertadores. Confira

Comentarista dos canais FOX Sports fez uma análise detalhada do que espera para cada equipe na atual edição da Conmebol Libertadores. Confira

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Ela (a fase de grupos da Libertadores) ainda não começou, portanto, é óbvio que esta avaliação é prévia. A maioria dos times ainda está em formação. Muitos campeonatos ainda estão no começo e alguns reforços sequer estrearam. Mas como não sou de fugir dos desafios e tenho recebido muitos questionamentos acerca de quem pode ganhar a Libertadores, resolvi fazer a minha lista de favoritos. Ela não é pequena. Há vários candidatos à glória e, claro, sempre surgem as surpresas.

Meu ranking é construído a partir da percepção pessoal do momento do time aliada à força de seu elenco e comissão técnica, ao histórico do clube e à capacidade financeira de repor as saídas de jogadores no meio do ano. O calendário esticado dificultou ainda mais a previsão de resultados pois há novos fatores que devem ser levados em conta ao longo do ano para que uma equipe se mantenha competitiva até novembro – coisa difícil no futebol sul-americano.

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Divido os times em faixas de nível de favoritismo, embora dentro delas haja diferenças entre eles. A primeira é a dos grandes favoritos; a segunda traz os candidatos reais; a terceira a dos que correm por fora; a quarta é a das zebras e quinta a dos que não têm chance. É apenas um exercício de projeção. Pretendo ir acompanhando o desempenho das equipes para ajustar os palpites.

 

1 – Os grandes favoritos

 

Boca Juniors

Busca igualar o recorde de títulos da competição e se preparou para isso. Líder disparado do Campeonato Argentino, o clube xeneize repatriou o ídolo Carlos Tevez, talvez o jogador mais importante do continente hoje em dia. Ele se soma a um time cheio de talentos como Pavón, Cardona, Bennedetto, Gago, Nandez, Barrios, Fabbra, Reynoso, Maroni e Ramon Ábila.

Jogará na temida Bombonera empurrado por uma numerosa e barulhenta torcida, sob o comando de um técnico que está na sua terceira temporada à frente do time e sabe muito bem o que é ganhar a Libertadores, Guillermo Barros Schelotto. É o time a ser batido.

 

Grêmio

Atual campeão o tricolor gaúcho, em princípio, mantém sua espinha dorsal com as permanências de Luan, Arthur, Geromel e Grohe. Hernane “Brocador” assume a vaga de Lucas Barrios enquanto Everton disputa o lado esquerdo do meio-campo com o recém-chegado Alisson. Com o veterano Leo Moura na lateral direita após a saída de Edilson e a subida de mais alguns jogadores da base, o técnico Renato Gaúcho tem condições de manter o padrão de jogo de 2017 e brigar por um bi-campeonato que não acontece na Libertadores desde 2000-2001 (Boca Juniors).

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Palmeiras

Este título é obsessão da diretoria alviverde. O time este ano me parece melhor preparado para o desafio do que nas temporadas anteriores. Tudo dependerá do pulso forte da diretoria diante de eventuais adversidades como a derrota recente no clássico para o Corinthians. É preciso dar respaldo ao trabalho da Comissão Técnica. Roger Machado tem um bom time nas mãos e busca a formação que lhe dê mais competitividade. Está no caminho, mas esta identidade demanda um tempo.

Se passar pelo dificílimo grupo da fase inicial a tendência é que o Palmeiras cresça na segunda metade da temporada, justamente na época dos temíveis “matas-matas”. Tem elenco, capacidade de investimento, estádio lotado, ou seja: grandes condições de fazer uma bela campanha.

 

Atlético Nacional

Campeão em 2016, o time sofreu com o desmanche. Perdeu quase todos os titulares e fez uma aposta errada na Comissão Técnica que sucedeu a de Reinaldo Rueda. Agora tem um time repaginado sob o comando do atual vice-campeão da Libertadores, o argentino Jorge Almirón. Ele vem implantando o mesmo estilo de jogo do Lanús à equipe mais poderosa da Colômbia. Contratou alguns jogadores de lá, inclusive.

Dayro Moreno, Andres Renteria e Jeison Lucumí devem brilhar ao lado de Vladimir Hernandez (que não se adaptou ao Santos) e do veterano meia criativo Macnelly Torres. Olho nos Verdolagas!

 

Corinthians

Fábio Carille vem se destacando. É um dos melhores técnicos em atividade no país. Vai para sua primeira Libertadores com um time que conhece como a palma de sua mão. A base campeã brasileira está lá. As saídas de três titulares estão sendo aos poucos repostas com soluções coletivas. Trabalho do técnico.

Com a força da Fiel torcida e seu moderno estádio, o Corinthians precisará superar a inexperiência internacional de seu treinador e o pouco número de opções ofensivas no elenco para brigar pelo título. É melhor não duvidar.

 

River Plate 

Vive péssima fase na Superliga da Argentina. Também por isso entrará com muita força na Libertadores. O River Plate de Marcelo Gallardo (técnico mais antigo no cargo de todos os times da competição) se notabiliza por crescer nos grandes momentos. Mostra uma intensidade difícil de ser superada pelo estilo de jogo brasileiro. Sem fazer uma grande campanha, chegou com facilidade às semifinais de 2017 quando sofreu uma virada inacreditável para o Lanús, perdendo a vaga na decisão.

O elenco é recheado de jogadores de qualidade. O mais recente reforço é conhecido no Brasil: Lucas Pratto. Mas nomes como Socco e Mora no ataque; Pity Martinez, Juan Quintero, Nacho Fernandez e Enzo Pérez no meio de campo e Armani no gol dão a certeza de que o elenco é suficiente para brigar até o fim pelo quarto título.

 

2 – Os candidatos reais

 

Cruzeiro

Campeão da Copa do Brasil, o time de Mano Menezes foi destaque na janela de transferências. Somou ao elenco de 2017 vários jogadores de renome, com destaque para o centroavante Fred, que veio do rival. O início de temporada é promissor, mas é sempre importante medir a dificuldade das competições desta época do ano. Tem um grupo difícil pela frente que vai servir para medir qual seu real peso na competição.

 

Flamengo

Vice-campeão da Sul-americana e dono de um dos elencos mais ricos do Brasil, o Flamengo precisa superar o trauma das eliminações recentes na fase de grupos. Caiu num grupo dos mais difíceis e ainda por cima mandará seus dois primeiros jogos sem o apoio de sua imensa torcida. Isso tudo diante de adversários complicadíssimos como River, Emelec e Santa Fe. Se passar por eles terá mostrado força para buscar o título.

 

Independiente

Após bater o Flamengo na decisão da Sul-americana, o “Rey de Copas” perdeu dois de seus destaques (Barco e Tagliafico), mas fez bons investimentos na janela de transferência e manteve-se um time forte. A proposta ofensiva do técnico Ariel Holán faz de seus jogos atrações sempre muito interessantes aos espectadores. Se parar de perder tantos gols será quase imbatível, pois a criação de boas jogadas é muito numerosa. Tem problemas graves da saída de bola quando a linha de defesa é pressionada. Tem a missão de defender sua condição de maior campeão da Libertadores de forma isolada. Se o Boca levantar a taça igualará suas conquistas.

 

Peñarol

Um dos mais tradicionais clubes da Libertadores parece chegar a esta edição com a força que não mostra desde 2011, quando foi vice-campeão. O segundo semestre de 2017 foi excelente. Vários reforços chegaram e deram muito mais força àquele time eliminado na fase de grupos em último lugar. Nomes experientes como “Cebolla” Rodriguez, Gargano e o argentino Maxi Rodriguez se juntam a jovens como Cannobio, Varela, Lucas Hernandez e Giovanny Gonzalez. Quem tem se destacado desde que chegou, no início do ano, é o equatoriano Fidel Martinez que está atuando como centroavante e marcando muitos gols.  A sequência de trabalho de Leonardo Ramos dá consistência coletiva a um time que enche a torcida de esperança.

 

Santa Fe

Campeão da Sul-americana em 2015 e semifinalista da Libertadores em 2013 o clube “Cardenal” vai para a sexta participação seguida no torneio. É uma das potências de um país que se estabeleceu como terceira força do continente. E construiu no último ano um sistema de jogo para lá de eficiente através do técnico uruguaio Gregorio Pérez (o mais velho da competição). Com uma defesa muito forte e alta e três atacantes de velocidade, aposta nos contra-ataques e nas jogadas de bola aérea para ganhar seus jogos. O centroavante Morelo, que voltou ao clube, já entra na fase de grupos com seis gols marcados nas preliminares e candidatíssimo a artilheiro. Calejado, o elenco sonha com algo mais nesta edição. Atenção no zagueiro Tesillo, um dos melhores do continente.

 

Racing

Dirigido por Diego Milito, treinado por Eduardo Coudet e apostando no brilho de Lautaro Martinez, o Racing promete. O jovem treinador que conduziu o Rosario Central às quartas de final em 2016 já parece ter dado um jeito no time, que foi mal em 2017. Vem de quatro vitórias seguidas e conta com outras peças de destaque como Centurión, Lisandro Lopez e Zaracho. Se realmente encaixar, pode fazer história e repetir o feito de 1967. Conta com uma das mais barulhentas torcidas do continente.

 

3 – Correm por fora

Santos – Desmontou seu time dos últimos anos. Tem início irregular na temporada. A esperança reside em Gabigol e no bom trabalho que o técnico Jair Ventura fez no Botafogo.

Colo-Colo – Valdivia pode ser o toque de qualidade que o clube precisava para ir mais longe em nível internacional. O craque do título chileno conquistado pelo clube tem jogado com regularidade e ajudado muito o time do técnico Pablo Guede a conquistar bons resultados. Seus principais coadjuvantes são o veterano atacante Paredes e o talentoso meio campista Valdés.

Junior de Barranquilla – Quase coloquei na lista anterior. Semifinalista da Sul-americana com boa campanha e futebol ofensivo, o time do norte colombiano se reforçou ainda mais para esta temporada. Contratou uma das sensações da última Libertadores, o atacante uruguaio Jonathan Alvez (ex-Barcelona de Guayaquil), o zagueiro da seleção peruana Alberto Rodriguez e manteve a base de 2017, inclusive a dupla Chará-Teo Gutierrez. Vai ser um adversário dos mais complicados.

Nacional – Recordista em participações e jogos na Libertadores o “Bolso” começa o ano tentando mudar seu estilo de jogo. Passou bem pelas fases preliminares e tem 100% de aproveitamento no início do campeonato uruguaio, mas ainda precisa mostrar consistência.

Estudiantes – Baseado em uma forte defesa e nos contra-ataques puxados pelo colombiano Otero é que o tradicional time do presidente Verón chega a mais uma Libertadores. Perdeu apenas o último jogo do campeonato argentino em 2017, mas ocupa o décimo lugar na tabela, quatro pontos atrás do terceiro colocado. O técnico é o jovem Lucas Bernardi.

Emelec – Campeão nacional, dono de um verdadeiro caldeirão que abriga uma torcida apaixonada, trabalho de longo prazo na comissão técnica (Alfredo Arias), equipe equilibrada e com atacantes em grande fase: Preciado e Ângulo. Some-se a isso a contratação de peso de última hora, Jefferson Montero. Dá para sonhar.

Vasco – Com muitos jovens no elenco o time precisa se recuperar do susto que passou na classificação em Sucre. Precisa evoluir tecnicamente em vários setores para brigar de igual para igual com os favoritos. Se os garotos amadurecerem rápido, quem sabe?

Cerro Porteño – O estádio reformado “Nueva Olla” (maior do Paraguai hoje) dá um enorme orgulho ao torcedor que o transformou numa fortaleza. Em campo, dirigidos pelo jovem argentino Luis Zubeldia, os jovens Rodrigo Rojas e Oscar Ruiz dão suporte aos atacantes Oviedo e Churín (artilheiro argentino) e esperança de um primeiro título internacional.

 

4 – Zebras

Millonarios – O campeão colombiano dá pinta de ser o menos promissor na competição internacional. Não tem bom desempenho neste início de ano e sofre com a doença de seu treinador, Miguel Angel Russo. Ainda assim tem ume estilo de jogo definido e um forte meio de campo, comandado por Silva e Duque. Na frente, Del Valle é o jogador a ser marcado.

Libertad – Semifinalista da sul-americana 2017, trocou de técnico, mas mantém sua identidade de futebol agora sob o comando do ex-goleiro Bobadilla. Seu “4-4-2” firme na defesa forte na bola aérea pode dar certo, mas ainda parece insuficiente para leva-lo ao título.

Universidad de Chile – Tem feito campanhas decepcionantes, mas chega em bom momento no campeonato chileno. O técnico argentino Hoyos tem no jovem venezuelano Soteldo seu maior talento. No ataque, Pinilla briga muito. Os veteranos Pizarro e Beausejour conduzem o meio de campo enquanto Jara segura as pontas na defesa.

Bolívar – Dominante em nível local, perigoso na altitude, vai mal fora de casa. Sob o comando do brasileiro Vinicius Eutrópio vai tentar superar a histórica campanha semifinalista de 2014.

Atlético Tucumán – De campanha irregular no campeonato argentino, o Tucumán conta com a força de sua alucinada torcida para fazer seus pontos em casa. O destaque do time de Ricardo Zielinski segue sendo o experiente muito habilidoso Luis “la pulga” Rodriguez, uma espécie de símbolo do clube do interior argentino.

The Strongest – Tem na altitude sua maior força. Já chegou mais confiante à competição internacional. Chumacero foi embora para o México.

 

5 – Não serão campeões

Alianza Lima – Tem torcida apaixonada e fez um grande 2017, mas falta qualidade técnica para disputar com os gigantes do continente.

Defensor – Time jovem demais para sonhar com uma conquista deste porte. Pode chegar às oitavas, mas precisará evoluir muito até lá para seguir na competição.

Monagas e Deportivo Lara – Os venezuelanos passam por momentos muito difíceis no seu dia a dia. Isso se reflete nos clubes de futebol. O país tem revelado excelentes jogadores, mas a maioria sai de lá rapidamente.

Real Garcilaso – Tem a seu favor a altitude de Cusco, mas o time não faz boa campanha nem no fraco torneio de verão peruano.

Delfín – Foi a surpresa do Equador em 2017, especialmente no primeiro semestre. Sofre com a saída de alguns de seus destaques, a pouca experiência internacional e o pequeno investimento.

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