Rodrigo Bueno: Tudo das Eliminatórias, e Brasil sonha com Grupo B

Comentarista dos canais FOX Sports analisa o encerramento das Eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018, e mostra o saldo dos 871 jogos disputados

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Acabaram as maiores eliminatórias da história da Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018 e praticamente tudo sobre o torneio da Rússia já está desenhado. Tanto que dá para afirmar que o Brasil torce para ser o cabeça-de-chave do Grupo B, se possível tendo apenas um europeu como adversário na primeira fase.

Foram 871 jogos, um número recorde, com 2457 gols marcados no qualificatório para o Mundial (média de 2,82 gols por partida). Houve um recorde de inscritos na competição: 209 nações ligadas à Fifa, sem contar a Rússia, o país-sede. Os países estreantes nas eliminatórias foram Butão, Gibraltar, Kosovo e Sudão do Sul. Zimbábue e Indonésia acabaram suspensos antes do início da disputa e nem chegaram a entrar em campo. O Zimbábue foi excluído porque não pagou dívida com o técnico brasileiro José Claudinei, que trabalhou na base da seleção e dirigiu várias equipes cariocas. O Kuait chegou a jogar as eliminatórias, estava na chave da Coreia do Sul, mas também foi suspenso. Myanmar teve que mandar as suas partidas em outro país devido a problemas com sua torcida nas eliminatórias para a Copa de 2014, no Brasil.

Como curiosidade, o primeiro gol das eliminatórias foi de Chiquito do Carmo, de Timor-Leste, num jogo no dia 12 de março de 2015, bem antes do sorteio do qualificatório em São Petersburgo, no dia 25 de julho daquele ano. O último gol da disputa foi do peruano Christian Ramos nos 2 a 0 sobre a Nova Zelândia. O Brasil foi o primeiro país classificado em campo para a competição, e o Peru acabou sendo o último, 233 dias depois da vaga brasileira ser confirmada matematicamente. São três os artilheiros das eliminatórias com 16 gols: Al Sahlawi (atacante saudita que atua no seu país no Al Nassr), Ahmed Khalil (atacante dos Emirados Árabes e do Al Jazira) e Lewandowski (centroavante da Polônia e do Bayern). Al Sahlawi fez cinco gols no duelo contra Timor-Leste, sendo o jogador que mais anotou numa partida destas eliminatórias junto com Carlos Ruiz, da Guatemala, que fez o mesmo feito contra São Vicente e Granadinas.

O jogador mais jovem a entrar em campo nas eliminatórias foi Anthony Likiliki, de Tonga, com 15 anos e 257 dias. O mais jovem a fazer um gol foi Ahmed Al Sarori, do Iémen, com 17 anos e 95 dias. O atleta mais experiente a jogar neste qualificatório foi Dady Aristide, das Ilhas Turks e Caicos, com 44 anos e 293 dias. O mais idoso a fazer um gol foi Pablo Escobar, da Bolívia, aos 38 anos e 91 dias. A maior goleada das eliminatórias para 2018 saiu no duelo entre Qatar, sede da Copa de 2022, e Butão na segunda rodada das eliminatórias asiáticas: 15 a 0.

As seleções estreantes na fase final da Copa do Mundo em 2018 serão a Islândia e o Panamá. A Islândia, que já foi sensação na Eurocopa de 2016, passa a ser o país com menor população numa fase final de Copa (segundo a última pesquisa, a terra dos vulcões e das cachoeiras conta com 346.750 habitantes). O Panamá acabou barrando os Estados Unidos, maior economia do planeta, país que não ficava de fora do Mundial desde 1986. Quatro campeões continentais vigentes não disputarão o Mundial no ano que vem: além dos EUA, Camarões, Nova Zelândia e o Chile, bicampeão da América, são potências regionais que verão a Copa pela TV.

A Itália, tetracampeã, estará ausente pela primeira vez desde 1958. A Holanda, vice-campeã em 2010 e terceiro lugar em 2014, volta a ficar de fora (nunca conseguiu jogar quatro edições seguidas do Mundial). Em contrapartida, estão de volta à Copa após longo tempo o Peru (não ia a uma fase final desde 1982), o Egito (não jogava desde 1990), o Marrocos (fora desde 1998) e Senegal (desde 2002). Pela primeira vez uma fase final de Copa terá quatro países árabes (Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Tunísia). E haverá três países nórdicos (Dinamarca, Islândia e Suécia). Dos 32 países que estiveram no Mundial de 2014, 20 voltam ao torneio na Rússia, sendo que a Nigéria é a única nação africana nesse grupo. A Austrália completou 22 jogos para ir à Copa de 2018, igualando assim o recorde de partidas disputadas numa única edição de eliminatórias (Honduras e Trinidad e Tobago fizeram 22 jogos no caminho para a Copa do Mundo de 2002). A Espanha alcançou, mesmo no grupo da Itália, a incrível marca de 63 jogos sem perder em eliminatórias. A Nigéria, seleção que ostenta a segunda maior invencilidade na disputa, tem “apenas” 36 jogos sem derrota.

A Rússia, anfitriã, é a cabeça-de-chave do Grupo A, portanto abrirá a competição no dia 14 de junho no tradicional estádio Luzhniki, o maior da competição (81 mil lugares). A Rússia jogará sua quarta Copa como país independente, mas ela herda oficialmente pela Fifa o legado da União Soviética. Então em seu histórico aponta 11 participações em Mundiais, com destaque para o quarto lugar em 1966, na Inglaterra. A Sérvia também guarda o histórico da antiga Iugoslávia (quarto lugar em 1930 e 1962) e de Sérvia e Montenegro (seleção que jogou em 2006 na Alemanha). Após estrear em Moscou, a Rússia jogará em São Petersburgo e em Samara.

O Brasil será um dos outros sete cabeças de chave. Alemanha, Portugal, Argentina, Bélgica, Polônia e França também comandarão grupos do Mundial russo com base no ranking da Fifa de outubro. Por uma questão de lógística e também para evitar um clássico mundial nas oitavas, será melhor para o Brasil ser o cabeça-de-chave do Grupo B. Se tiver essa sorte, o Brasil atuará na fase de grupos em Sochi, local onde de sua concentração, no estádio Luzhniki, em Moscou, e em Saransk, cidade que fica perto de Moscou, um pouco ao Norte de Sochi. Sendo campeão do Grupo B e avançando na competição, o Brasil atuaria nas oitavas de final, na semifinal e na final no mesmo estádio Luzhniki e faria as quartas em Sochi, sua casa. 

Outra vantagem de ser cabeça-de-chave do Grupo B é evitar um possível confronto logo nas oitavas com alguma campeã mundial cabeça-de-chave. A seleção de Tite estaria livre de Alemanha, França e Argentina na primeira fase do mata-mata. Também evitaria um duelo precoce com a Bélgica, cotada mais uma vez para fazer grande campanha. Haveria uma chance razoável de encontrar a anfitriã Rússia nas oitavas, mas os donos da casa não estão entre os candidatos ao título. O Brasil pegaria nas oitavas o anfitrião como aconteceu nos Estados Unidos em 1994. A seleção brasileira já fará amistoso contra os russos em março, o que dará uma boa noção do adversário. Um grupo possível e bem acessível para o Brasil teria México, Tunísia e Arábia Saudita, por exemplo. Uma chave mais complicada poderia contar com Espanha, Suécia e Nigéria. Os países já foram todos distribuídos em quatro potes de acordo com o ranking da Fifa. O Brasil não poderá ter um outro sul-americano em seu grupo e terá no máximo dois adversários europeus em sua chave nessa primeira fase.

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