Blog do Rodrigo Bueno: River Plate dá mais asa ao apelido de Galinha

Comentarista dos canais FOX Sports analisa virada histórica do Lanús, após acumular desvantagem de três gols no placar agregado, e conseguir eliminar o time de Marcelo Gallardo na Libertadores

329468
False

A derrota do River Plate diante do Lanús de virada por 4 a 2 na semifinal da Libertadores remete diretamente à derrota mais famosa de sua história, aquela que colou no time em 1966 o apelido de “galinha” (gallina em espanhol). Foi na final da Libertadores daquele ano, diante do Peñarol. O River vencia por 2 a 0 e acabou sendo superado por 4 a 2 pelo rival uruguaio, uma virada que foi vista na Argentina como vergonhosa, um símbolo de amarela, de time que afina quando tem tudo favorável.

Em 1966, o jogo que transformou o River em “Gallina” aconteceu em Santiago, no Chile. Era a partida de desempate da decisão, uma vez que o Peñarol havia vencido o jogo em Montevidéu (2 a 0) e o River Plate deu o troco em Buenos Aires (3 a 2). Não havia saldo de gols como critério de desempate. A finalíssima então foi em território neutro no dia 20 de maio.

O time “Millonario”, o apelido pomposo do River, contava com grandes jogadores, como Carrizo, Solari, Más e Onega. Tentava seu primeiro título de Libertadores naquele dia. O Peñarol, que já era bicampeão da América, contava com Pedro Rocha e o artilheiro Spencer, entre outros.

Onega e Solari abriram o placar para o River contra o tradicional aurinegro uruguaio. No segundo tempo, Spencer e Abbadie empataram o duelo, que foi então para a prorrogação. No tempo extra, Spencer anotou outro, e Pedro Rocha deixou sua marca também. O 4 a 2 deixou o River Plate marcado para sempre. A equipe era vista como favorita ao título, priorizou a Libertadores e escalou suplentes no campeonato nacional.

Na volta para a Argentina, o River enfrentou logo o Banfield. Os torcedores do time adversário levaram para o estádio uma galinha pintada com uma faixa vermelha gozando o vice-campeão da América. Fotógrafos registraram esse momento, que ficou eternizado para os rivais do River, em especial para os torcedores do Boca. 

A virada épica do Peñarol sobre o River, para muita gente, começou quando o goleiro Carrizo dominou uma bola no peito, o que foi visto pelos uruguaios como provocação, um sinal de que tudo estaria “ganho” pelos argentinos. O jogo estava 2 a 0 então para o River. Carrizo tinha o hábito de dominar a bola no peito, mas aquele gesto serviu como motivação para o adversário.

O Peñarol em 1966 era mais forte e estava bem mais cotado que o Lanús neste ano. O River não triunfaria com uma derrota por 3 a 2 diante dos uruguaios, como aconteceria nesta semana na Fortaleza (o estádio Ciudad de Lanús). Diante desse cenário, dá para dizer que a virada sofrida na semifinal da Libertadores deste ano foi ainda mais surpreendente.

Há 51 anos, o River Plate passou a ser chamado pelos adversários na Argentina. A provocação atravessou décadas e ganhou até uma celebração especial de Tevez, imitando uma galinha, na Libertadores de 2004. Agora, a Libertadores de 2017 jamais será esquecida pelo River e pelos rivais dos “Millonarios”. O apelido de “Gallina” ganhou ainda mais asas.

Deixe seu comentário