Rodrigo Bueno: Grupo do Brasil em 2018 pode ter Espanha, Inglaterra ou Itália

Comentarista dos canais FOX Sports analisou os cenários para o sorteio que acertará as chaves para a Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018

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Muita coisa já está definida na Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018, que promete ter como grande marca a renovação. Mesmo as seleções favoritas apresentam média de idade relativamente baixa e caras novas. Os oito cabeças de chave estão certos: Rússia, Alemanha, Brasil, Portugal, Argentina, Bélgica, Polônia e França. No pote 2 do sorteio que será realizado no primeiro dia de dezembro em Moscou, estão garantidas as seleções de Espanha, Inglaterra, Colômbia, México e Uruguai. A lógica aponta para esse mesmo pote as equipes de Peru, Suíça e a Itália, três favoritas na repescagem. Considerando que no grupo do Brasil não poderá estar outro país sul-americano, a chance de Espanha, Inglaterra ou Itália entrar na chave do Brasil é bastante considerável.

No pote 3 do sorteio, estão confirmadas a Islândia, a Costa Rica, o Egito e o Irã. Devem fazer parte desse pote ainda a Croácia, a Dinamarca, a Tunísia e o Senegal. Croatas e dinamarqueses são favoritos na repescagem europeia pela sua pontuação e por sua tradição. Tunísia e Senegal já têm suas vagas bem encaminhadas na África. No quarto e último pote, entram Sérvia, Nigéria, Japão, Panamá, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Costa do Marfim e Austrália deverão fechar esse pote. Os australianos, assim como os peruanos, têm mais tradição e time que o seu adversário na repescagem intercontinental (Honduras e Nova Zelândia, respectivamente).  

O Brasil, pela força histórica e pela grande fase da equipe de Tite, deve passar sem muito problema por qualquer grupo que encontrar no Mundial. Como acontece em todo sorteio, pode-se cair numa chave bem difícil, algo com Itália, Croácia e Nigéria, ou num grupo bem acessível, como México, Tunísia e Arábia Saudita. A Rússia, anfitriã, fará a partida de abertura da Copa, como tem acontecido com os últimos países-sede.

A Holanda, futebolisticamente falando, é a grande baixa da Copa. Melhor seleção da história dentre as que não foram campeãs mundiais, a Laranja Mecânica pecou mais uma vez na hora de se renovar. Nunca jogou quatro edições seguidas de Mundial. Com Robben, Sneijder e Van Persie veteranos, faltou preparar melhor novos destaques. Escolhas equivocadas no comando técnico contribuíram também para mais esse fracasso, já que a Holanda não tinha se classificado nem para a Eurocopa-2016, um torneio com 24 seleções (era ainda mais fácil ter classificado para essa disputa). Robben se aposentou da seleção e, na minha opinião, entrou na equipe ideal da Holanda ao longo da história. Van der Sar; Koeman, Frank de Boer e Krol; Rijkaard, Bergkamp, Neeskens e Gullit; Robben, Van Basten e Cruyff. Esse seria o meu “Carrossel de todos os tempos”. Temo que demore a aparecer outro craque desse nível na minha querida Holanda.

Comercialmente falando, os Estados Unidos são um desfalque e tanto para a Copa. Normalmente, os norte-americanos são maiioria entre os torcedores que viajam para acompanhar o Mundial. Agora, os ingleses devem ser os maiores “invasores” da Rússia. A maior economia do mundo ajuda a turbinar os valores da Copa, com seus fortes patrocinadores e suas poderosas empresas de comunicação. Não é um bom negócio uma Copa sem os EUA. E eles estavam presentes na maior festa do futebol mundial desde 1990. Fica ainda a lembrança de que o FBI causou recentemente um grande alvoroço na cúpula da Fifa, investigando, caçando e prendendo alguns dos principais dirigentes da entidade nas últimas décadas. Os Estados Unidos boicotaram a Olimpíada de 1980, em Moscou, e perderão o primeiro Mundial jogado na Rússia, a herdeira oficial da União Soviética.  

A grande novidade e talvez a grande história da Copa é a Islândia. Caçulinha na disputa, a seleção que foi sensação na última Eurocopa conseguiu ser líder numa chave com Croácia, Turquia e Ucrânia. Estive na Islândia em julho, uma viagem realmente diferença pelo menor país que já se classificou para a fase final da Copa. São apenas 330.000 habitantes, população que é facilmente superada por várias cidades brasileiras. O time tem um camisa 10 como craque: Sigurdsson, que virou até a contratação recorde do Everton. Hoje a equipe é comandada de forma solo por Heimir Hallgrímsson. A Islândia tem bom sistema defensivo, está relativamente bem posicionada no ranking da Fifa e, mesmo se cair em um grupo difícil, pode avançar sim às oitavas de final. Certamente será uma “queridinha” na Copa e terá a torcida de quase todo mundo por ser a simpática caçulinha.

Particularmente, também festejo a volta do Egito ao Mundial. Estive no antigo país ano passado e vi claramente as dificuldades que os egípcios enfrentam, bem como sua paixão fervorosa pelo futebol. Desde 1990 que o maior campeão da África não jogava a Copa. Seis jogadores da seleção egípcia atuam no futebol inglês, com destaque, é claro, para o atacante Salah, do Liverpool. Ele responde diretamente pela classificação do Egito para a Copa. Vale destacar também que o técnico da seleção tricolor é argentino: Héctor Cúper. Treinadores argentinos, em alta, levaram a Colômbia e podem classificar o Peru para a Copa. Jorge Sampaoli saiu do Chile e hoje treina a Argentina. Levou seu país ao Mundial, e o Chile, que cresceu demais nos últimos anos com técnicos argentinos, está fora.

(Crédito da imagem: Lucas Figueiredo/Mowa Press)

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