Dudu é dominado e perde cinturão dos galos no Bellator 184

John Macapá também sai derrotado em dura batalha contra ex-campeão Pat Curran. Leandro Higo usa muito grappling para dominar Joe Taimanglo e conseguir a única vitória brasileira na noite. Emmanuel Sanchez finaliza Daniel Straus em luta espetacular

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Por Victor Gomide


Foi uma sexta-feira frustrante para o Brasil no Bellator 184. Em especial, para a Academia Nova União. Dos três atletas do país que entraram no cage circular mais famoso do mundo, dois saíram frustrados com o resultado. Mas foi uma noite de excelentes lutas para os amantes das artes marciais mistas.

Diante de Joe Taimanglo, adversário com jogo bastante heterodoxo e imprevisível – também cheio de provocações -, Leandro Higo fez uma luta segura, correta e eficiente. Dominou os três assaltos, levou o guamês para o solo, pontuou e esteve perto de finalizar por guilhotina.

John Macapá mostrou muita valentia e raça diante de um preciso e calculista Pat Curran, que executou uma estratégia criteriosa de contragolpes e chegou a balançar o brasileiro duas vezes. O ex-campeão se credencia a uma disputa do cinturão já no próximo compromisso ou logo a seguir. Macapá sofreu seu segundo revés seguido (depois da controversa decisão dos juízes que assinalaram vitória para Daniel Weichel) mas andou para frente nos 15 minutos de luta e mostrou enorme resistência.

No co-main event, uma batalha espetacular. Daniel Straus e Emmanuel Sanchez fizeram uma luta franca, emocionante e cheia de reviravoltas. Surpreendente, afiado e imprevisível,

Na luta principal da noite, Dudu Dantas foi frustrado por um oponente duro e muito tático com seu afiado jogo de wrestling e grappling. Explosivo, Darrion Caldwell conseguiu impor suas quedas e controlar a maior parte dos 25 minutos de luta para voltar para casa com o cinturão dos galos numa atuação surpreendente – especialmente pelo fôlego nos “championship rounds”. Dudu vai se reunir com seus treinadores, avaliar o que faltou no combate para juntar os cacos e voltar mais forte para recuperar o título.

Leandro Higo vence Joe Taimanglo (decisão unânime)

Primeiro round muito explosivo, com uma queda para cada lado - lindo harai-goshi de Taimanglo. Por mais de dois minutos, Higo esteve por cima, atingindo e dominando o americano.

Sem cair nas provocações do traiçoeiro Taimanglo, Higo encaixou, em seguida, duas combinações de jab-direto justíssimas para, ato contínuo, tombar o oponente e pontuar no chão.

Na parcial derradeira, depois de longos minutos sem ações mais contundentes, o guamês passou a buscar quedas. Numa dessas tentativas, conseguiu pegar as costas de Higo e mochilar o brasileiro - inclusive, passando os ganchos. Depois de se desvencilhar, o brasileiro conseguiu pegar o timing do ataque às pernas e encaixou uma guilhotina que parecia muito ajustada. Com muita raça, o guamês resistiu até o gongo final.

Na decisão, unânime, Leandro Higo teve seu braço levantado e impôs a oitava derrota da carreira ao rival. Justiça foi feita nas papeletas.

Pat Curran vence John Macapá (decisão unânime)

O confronto começou com dois bons uppers de Macapá. Algum deles abriu o supercílio direito do americano. Depois de um início "econômico", o ex-campeão marcou bem o tempo do brasileiro e, depois da metade do assalto, começou a soltar mais o seu jogo. Com poucos golpes, porém muito contundentes, Curran conseguiu contragolpes curtos e precisos contra o rosto do brasileiro - que chegou a dobrar o joelho duas vezes. Preocupado com a recuperação física de John, o córner de John ia avisando a regressiva para o fim do round.

Num equilibrado segundo assalto, Macapá optou por minar a perna esquerda do rival. Já com a mobilidade prejudicada pelos chutes, o americano passou a buscar as quedas. Conseguiu no fim e conseguiu pontuar no chão.

Com alternâncias de domínio até ali, o ex-campeão foi cirúrgico no último round. Iniciou procurando o brasileiro. Nos primeiros 2 minutos e meio, ele deu queda, dominou e golpeou no chão e conquistou importantíssimos pontos nos cinco minutos decisivos. A última metade do assalto foi pouco incisiva, com John muito valente, sempre andando para a frente, mas já sem o mesmo vigor físico. Curran, por sua vez, continuava muito oportunista nos contragolpes.

John Macapá saiu com sua segunda derrota consecutiva, mas deixou tudo que tinha no cage diante de um adversário duríssimo e que, apesar da longa inatividade, mostrou um jogo extremamente afiado.

Emmanuel Sanchez vence Daniel Straus (finalização, 3R)

Que batalha! Que pancadaria! Uma verdadeira luta de rua.

Dois gladiadores, insanos, sem nada a perder entraram com tudo no confronto, sem qualquer precaução. Uma busca por encerrar a luta a qualquer instante. Foi isso que a luta co-principal ofereceu ao público.

O ofensivo Straus encurtou a distância e, por cima, maltratou o oponente com cotoveladas inclementes. Quando se imaginava uma interrupção do árbitro, o Sanchez conseguiu uma inesperada chave de tornozelo. Com muita persistência, o ex-campeão resistiu à posição e escapou.

Voltou a dominar e levar a luta para o solo. Nova e improvável raspada e eis que surgiu Sanchez quase pegou o pescoço de Daniel. Será que ele perderia, outra vez, por estrangulamento? Ainda não. Isso, ainda não!

Depois de ser levado ao solo, Sanchez mostrou sangue frio, reverteu a posição e promoveu um massacre poucas vezes visto em qualquer ringue, de qualquer divisão, de qualquer organização. Montou no peito de Straus e bateu. Bateu como quis, quando quis, enquanto quis num rival que só fazia se defender e torcer para o assalto acabar.

Aparentemente recuperado do atropelo do segundo assalto, o americano repetiu o expediente e colocou o rival de costas no chão. Parecia que voltaria com tudo para o combate. Só que... o imprevisível caçador de campeões estava impossível. Lembra do pescoço que escapou no primeiro assalto? O “ainda não” passou a ser “agora, sim”! Sanchez encontrou um triângulo e, com paciência e muita técnica, foi ajustando a posição até que o estrangulamento estivesse justo. Straus bateu. Fim de espetáculo.

Darrion 'The Wolf' Caldwell vence Dudu Dantas (decisão unânime)

 

12 de Dezembro de 2015. Chris Weidman defendia o cinturão dos médios no UFC pela quarta vez. Antes, ele havia se tornado mais um carrasco de brasileiros depois de enfileirar três dos nossos melhores lutadores na divisão – Anderson Silva (duas vezes), Lyoto Machida e Vitor Belfort. A luta seguia muito equilibrada nos dois primeiros rounds. Até que, no terceiro assalto, o campeão e até então invicto “inventou” um chute rodado. Rockhold aproveitou a oportunidade, grudou nele, levou a luta para o chão e, dali em diante, o que se viu foi um massacre, que perdurou até os 3m12 do round seguinte e determinaria o fim da invencibilidade de Weidman.

 

6 de outubro de 2017. Dudu Dantas, campeão dos galos, enfrentava o perigoso Darrion “The Wolf” Caldwell. No primeiro assalto, os lutadores se estudaram por 30 segundos. Então, Dudu e Caldwell soltaram chutes simultâneos. O do brasileiro atingiu o americano na altura das costelas.

 

E o que essa cena tem a ver com a da luta de Weidman e Rockhold? A consequência. Depois desse golpe, o desafiante, muito oportunista, segurou a perna do brasileiro e grudou nele como um carrapato. Em seguida, em pé e retendo as costas de Dudu, castigou com joelhadas e um impressionante suplê. Essa sequência mudaria a programação do córner brasileiro para o combate.

 

Sempre muito estratégico e seguro no cage, o campeão se acostumou a costurar suas defesas de cinturão controlando a distância com seus poderosos jabs e sua envergadura, machucando os oponentes em pé e somando pontos round após round. Só que, dessa vez, sem conseguir se desvencilhar do wrestler olímpico e sua pegada nas costas, a contagem começou com 1x0 contra.

 

 

Com duas quedas e um knockdown provocado por uma potente cotovelada de esquerda do americano na ponta do queixo, a situação ficou ainda mais difícil para Dudu depois dez minutos de combate. O campeão ainda não encontrava a distância e o timing para dominar as ações.

 

Restava a obrigação de impressionar nos 15 minutos remanescentes. Com Caldwell menos explosivo, ele (re)começou bem na missão, evitando as muitas tentativas de queda. Levou Caldwell ao solo, passou a guarda e ensaiou um ground-and-pound nos últimos segundos de round diante de um aparentemente exaurido adversário.

 

Com um minuto de quarto round, o desafiante conseguiu nova queda. O campeão prontamente se levantou e, espremido contra a grade, conseguiu se desvencilhar da pegada pelas costas e reverter a posição. Pegou as costas, mochilou e fechou o cadeado. Esteve muito perto de encaixar um estrangulamento – mata-leão ou esgana-galo passaram por pouco.

?????? FECHOU O CADEADO! Dudu vai com tudo... BOOOOORA! #FOXFightClub pic.twitter.com/hqoGis43KT

— FOX Sports Brasil (@FoxSportsBrasil) 7 de outubro de 2017

 

Muito paciente, Caldwell escapou da situação periclitante ficou por cima, ainda dentro da guarda de Dudu. Restavam dois minutos. Foi quando disparou três cotoveladas no rosto. Enquanto o sangue deslizava do supercílio esquerdo rasgado do campeão, escorria também a perspectiva de vitória por pontos no penúltimo assalto. Situação dramática.

 

?????? A sequência de cotoveladas que fez estrago em Dudu! #FOXFightClub pic.twitter.com/Yx8Imjy7qJ

— FOX Sports Brasil (@FoxSportsBrasil) 7 de outubro de 2017

Só um nocaute ou finalização salvaria. Frustrado, o campeão andava para a frente mas, já sem tanta energia e confiança, suas iniciativas não alcançavam o efeito necessário para reverter a contagem e reter o cinturão. Tentou uma cotovelada rodada. Outra vez, Caldwell conseguiu agarrá-lo e amarrar a luta – ganhando preciosos segundos até assegurar uma valiosíssima vitória e conquista do cinturão.

 

Foi uma vitória justa para o novo campeão. Dudu já mostrou sua serenidade e elegância de sempre em vídeo compartilhado no seu perfil pessoal em rede social. Triste pelo resultado, mas já com a mira voltada para recuperar o título.

 

O Bellator volta no dia 20 de outubro, com um card instigante. O finalizador Neiman Gracie (invicto em seis lutas, com cinco finalizações) abre as lutas principais enfrentando o experiente Javier Torres (10-3). Vindo de dois reveses, o showman Brennan Ward (14-6) tenta se recuperar diante de David Rickels (18-4). O card principal ainda prevê Liam McGeary (12-2)  contra Bubba "The Menace" McDaniel (28-10) antes da luta da noite, a aguardada estreia do nocauteador Gegard Mousasi (42-6-2) na organização. O oponente será o explosivo e perigosíssimo russo Alexander Shlemenko (56-9).  No cage circular, estarão nada menos do que 54 nocautes e 22 finalizações. Será que precisaremos dos juízes para saber o vencedor? Saberemos na noite de 20 outubro. Imperdível.

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