Simon: 'CBF, está mais do que na hora de implementar o árbitro de vídeo'

Como escreveu o jornalista francês Albert Camus: "Tudo o que aprendi sobre caráter, conduta do ser humano, foi num campo de futebol"

323128
False

Uma polêmica marcou a 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Foi o gol do atacante Jô que resultou na vitória do Corinthians sobre o Vasco da Gama por 1 a 0. O gol foi feito com o braço, o que não foi percebido por nenhum membro da equipe de arbitragem, mas foi captado com nitidez pela imagem da transmissão. A questão que fica é de natureza ética: Jô deveria denunciar a si mesmo, revelando ao árbitro a infração?

Fla, Corinthians, Real, Bayern e Juve no FOX Sports

Na minha opinião a resposta é sim. O futebol é também uma representação da sociedade no que diz respeito à obediência das normas de conduta nas disputas do cotidiano, e, como tal, os atores do espetáculo deveriam esforçar-se para ser uma vitrine do comportamento ético correto. Burlar, mentir, enganar para obter vantagem não é correto, seja numa partida de futebol ou nas tenebrosas transações político-empresariais que assombram o nosso país. (Numa das copas que apitei fui convidado, por uma marca de cerveja para fazer um comercial, mesmo com uma boa proposta financeira, não aceitei, por entender que não seria bom fazer propaganda de álcool, ainda mais se tratando no meio esportivo) A ética se aplica em todos os campos de atuação humana. O futebol não está imune a ela.

Cabe lembrar o ocorrido em abril passado no clássico Corinthians x São Paulo, primeiro jogo da final do Campeonato Paulista. Aos 39 minutos do primeiro tempo o são-paulino Rodrigo Caio assumiu ter sido o responsável pelo toque na coxa do goleiro Renan, seu companheiro de equipe, e assim fez com que juiz retirasse o cartão amarelo aplicado a Jô, que o tiraria do jogo de volta. A atitude de Rodrigo Caio foi amplamente elogiada, inclusive por Jô, o beneficiado, que declarou na ocasião: "Parabéns ao Rodrigo Caio que teve atitude de homem, o futebol precisa disso. É uma amostra de que o futebol está mudando, que dá para ser honesto." Quando teve oportunidade de igualmente ser honesto e ter "atitude de homem", Jô preferiu seguir a Lei de Gérson ("o importante é levar vantagem em tudo"). A alegação de que não alertou o árbitro não ter "convicção" de que empurrou na bola com braço soa inverossímil, para não dizer que está subestimando a inteligência alheia.

Saiba mais:

Veja a nova camisa do São Paulo

Parceiro de Neymar é chantageado

Fla é o melhor do G4 no 2º turno

 Uma das formas de minimizar equívocos por parte da arbitragem é o vídeo árbitro, que vem sendo utilizado com sucesso e eficiência nos jogos do futebol europeu. Na América Latina deverá ser usado nas semifinais da Taça Libertadores da América. Enquanto a comissão de arbitragem da CBF estuda a implementação deste recurso, o fair play vai continuar perdendo para o jogo sujo.

Deixe seu comentário