Malfacine e Rodolfo mostram a força do jiu-jítsu e finalizam no Shooto 74

Peso-mosca finaliza Romario Boaes em 94s; meio-pesado tem teste duro e precisa de três rounds para encaixar triângulo de mão em Fagner Rackchal

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Por Victor Gomide

No dia 24 de agosto, o FOX Sports recebeu os fenômenos do jiu-jítsu Bruno Malfacine e Rodolfo Vieira para um bate-papo. Com 14 títulos mundiais nas costas, eles se preparavam para o Shooto 74 que aconteceria no domingo seguinte (27). O evento foi a estreia de Malfacine no MMA e a segunda luta de Rodolfo na modalidade (confira a íntegra da conversa). O Blog FOX Fight Club também contou um pouco da conversa deles com os jornalistas Éder Reis e Mario Filho (veja aqui).

Foi um fim de semana completo para quem curte de lutas, com um explosivo Bellator 182 na sexta-feira, a luta do ano Mayweather vs. McGregor no sábado e o Shooto no domingo. Os dois brasileiros, que enfileiraram adversários nos tatames mundo afora, estão no crucial período de transição da arte suave para as artes marciais mistas.

Malfacine mal estreou. Em uma luta intensa e espetacular, levou Romario Boaes para o chão num double leg, passou guarda, montou, levou raspada... Com a calma de sempre, pegou o braço e levou para casa num inapelável jujigatame. Tudo isso em 1m34 de luta.

Rodolfo teve um teste mais tenso. Fez o camp com um adversário em mente - Natalicio Nascimento. Dois dias antes do confronto, ele foi substituído por Fagner Rackchal - que ofereceu um duro teste para o carioca de Campo Grande. Durante os dois primeiros rounds, o atleta da American Top Team tentou levar a luta para o solo, mas Rakchal não deixava as costas pregarem no chão.  Só no terceiro, o pentacampeão mundial de jiu-jítsu conseguiu impor seu estilo e aplicar um justíssimo katagatame a 14 segundos do fim do combate.

Passadas as lutas, eles contam como se sentiram, sobre a mudança dos tatames para o cage e o futuro na nova modalidade.

FOX Fight Club: Quando você vai estrear no MMA? Convenhamos, essa luta não contou...

Bruno Malfacine: Que isso não faz isso comigo, essa vitória tem que ir para o meu cartel (risos). Eu queria, sim, lutar mais, sentir e entender como funcionam as coisas ali dentro. Mas o meu lado instintivo sempre fala mais alto. Sempre foi assim, desde quando comecei a competir no jiu-jítsu, ainda criança. Sempre tive um jogo agressivo e a finalização sempre foi e vai ser meu principal objetivo. Quer dizer, pelo menos por enquanto porque já, já estarei nocauteando da mesma forma.

FFC: Deu para sentir o gostinho de uma luta de artes marciais mistas ou mal conseguiu saber nos 94s?

BM: Deu para sentir a sensação de estar ali dentro que até então eu não fazia ideia de como seria. Conversei muito com o Rodolfo logo após a primeira luta dele para saber porque fiquei muito curioso. Ele tentou me explicar, me conhece bem e disse que no final eu iria amar e viciar naquela adrenalina que é estar ali. Ele estava certíssimo. Já não vejo a hora de voltar.

FFC: Como se sentiu quando o cage fechou?

BM: A ficha foi caindo aos poucos e, quando o cage, fechou não tinha mais volta. Sabia que era a hora de me concentrar e colocar em prática tudo que foi realizado no treinamento. Embora tenha sido minha estreia eu estava muito tranquilo e confiante. Eu estou aplicando bem toda a experiência que tive competindo no jiu-jítsu, e isso tem me ajudado bastante.

FFC: A luta durou 94s. Nela, você conseguiu um double leg, passou a guarda, montou, levou uma raspada e, por baixo, pegou o braço - mas não levou nenhum soco. Está curioso para saber como o corpo vai reagir quando for atingido por um golpe mais pesado no corpo?

BM: Curioso eu não estou (risos), mas estou pronto. Meu striking não está nem perto de onde eu quero chegar, mas sabia que o meu wrestling e jiu-jítsu eram melhores do que os dele. Então, sabia que nas minhas primeiras oportunidades, iria fazer acontecer.

FFC: Numa categoria em que a mão "não pega tanto", ter um chão tão bom será um diferencial fundamental?

BM: Sem dúvida, eu sempre pensei nisso e meus amigos sempre falavam que isso era algo positivo para mim. Claro que não tenho a intenção de perder minha essência que é o jiu-jítsu, duvido que na categoria alguém faça isso melhor do que eu, mas eu quero ser um lutador completo. Não quero apenas chegar ao UFC e ganhar o cinturão. Quero fazer história no MMA assim como fiz no jiu-jítsu.

FOX Fight Club: Na primeira luta, você precisou de 1m13 para levar seu adversário para o chão. Dessa vez, a luta se desenrolou praticamente em pé. Como você se sentiu nesse teste?

Rodolfo Vieira: Na primeira luta, consegui impor o meu jogo primeiro, encurtar a distância. não tomei muitos golpes e consegui fazer bem o meu jogo. Derrubei meu adversário e ele não levantou mais. Já nessa minha segunda luta, foi um teste grande para mim porque não consegui derrubar logo e tomei golpes fortes do meu adversário. Não estava conseguindo impor o meu jogo. Entrava nas pernas, tentava colocar para baixo e ele defendia bem. Ele estava com uma base muito boa. Aí, passei a não me preocupar tanto em derrubá-lo de qualquer maneira para não gastar minha força toda e cansar porque sabia que ia ter que voltar em pé e trocar com ele - que é um striker. Mas sabia que ele ia cansar e eu estava bem. Então, acreditei até o final que ia conseguir derrubar. E foi o que aconteceu. No terceiro round derrubei, ele usou a grade e levantou. Mas, na segunda vez, ele não conseguiu mais levantar.

FFC: A mudança de adversário atrapalhou muito os planos para a luta?

RV: Sempre atrapalha um pouquinho, mas não ia mudar o meu jogo e nem a minha estratégia - independente do adversário. Mas acaba que uma mudança de adversário assim, em cima da hora, sempre dá uma atrapalhada, até pelo fato do Fagner chutar mais do que o adversário que eu ia enfrentar. O adversário original tinha um jogo diferente, até trocava bem parecido com o Fagner, mas usava mais as mãos e o Fagner usava mais os chutes. Isso dificultou um pouquinho, mas não fez tanta diferença.

FFC: Duas lutas, duas finalizações. Esse será sempre o caminho no MMA? A estratégia é essa ou já se sente à vontade com as outras técnicas das artes marciais mistas?

RV: A estratégia sempre vai ser tentar colocar para baixo (risos). Nessa luta, vi o quanto tenho que melhorar em tudo, não só em pé, mas meu jiu-jítsu também. Perdi umas posições no chão que não costumo perder. Mas é isso, o MMA é um esporte difícil, um esporte novo para mim, treino há pouco tempo, mas espero chegar em um bom nível. Estou trabalhando para isso. Quero ser um lutador completo e não depender apenas do jiu-jítsu. Mostrei, nessa luta, que aguento passar sufoco, porque não é qualquer lutador que aguenta passar por isso, principalmente quem vem do jiu-jítsu. Ficar ali em pé tomando pressão e tentar colocar para baixo e não conseguir… Mas passei por esse teste. Foi um grande aprendizado. Sei que preciso ganhar muita experiência ainda e vi o quanto eu preciso evoluir, o quanto preciso treinar para atingir os meus objetivos. Não estou nem 1% do que quero e de onde posso chegar.

FFC: Foi sua segunda luta nos meio-pesados. A questão do peso foi um dificultador para isso?

RV: Não acredito que tenha dificultado a questão do peso - até porque não perdi muito peso. Estava treinando no peso da luta mesmo, estava me sentindo forte, estava me sentindo bem. Mas não dá para ficar nessa categoria, não (risos).

FFC: Você programa baixar para os médios (84kg). Deve fazer isso já para o próximo confronto?

RV: Que vou descer de peso é certo, mas não sei se vou fazer isso já na minha próxima luta. Vou conversar com o meu nutricionista e vamos ver se vale a pena fazer o teste entre os médios (84kg) já na minha terceira luta de MMA.

FFC: Já tem data ou adversário?

RV: A minha próxima luta será no dia 22 de outubro no Real Fighting, evento japonês com o qual tenho contrato. O evento deve acontecer em Curitiba. Ainda não tenho adversário definido.

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