Multicampeões do jiu-jitsu miram novas conquistas no MMA

Rodolfo Vieira e Bruno Malfacine lutam Shooto Brasil 74 nesse domingo e encaram mudança para artes marciais mistas como desafio que faltava para a carreira

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Por Victor Gomide

Michael Schumacher e Valentino Rossi estiveram nos estúdios FOX Sports nesta terça-feira (22). Não, você não leu errado: Michael Schumacher e Valentino Rossi estiveram nos estúdios Fox Sports nesta terça-feira (22).

Não foi exatamente assim, mas foi quase isso que aconteceu. Vamos esclarecer.

Ao longo da carreira na Fórmula-1, Schumacher acumulou sete conquistas. Aos 38 anos, Rossi segue competindo na Moto GP também em busca de seu sétimo troféu. Se não for, de fato, esses dias, ainda assim, o FOX Sports recebeu dois campeões que merecem muito a comparação. É o caso dos campeões mundiais de jiu-jítsu Rodolfo e Bruno Malfacine. Juntos, os dois reúnem nada menos do que 14 títulos mundiais.

Rodolfo Vieira, peso-pesado (-94,3kg), cinco vezes campeão do mundo. Bruno Malfacine, peso-galo (-57,5kg), nove. Poucos lutadores podem ser comparados a eles. Exceto pelos decacampeões Marcus Buchecha e Roger Gracie, quem acumula mais glórias nos tatames competindo na Arte Suave?

Os dois atletas têm luta marcada no sábado (26) pelo Shooto Brasil 74. Será a estreia de Malfacine no MMA. Seu adversário, Romário Garcia, da equipe Relma Combat, tem apenas uma derrota. Já Rodolfo, em sua segunda luta profissional de MMA, tem um oponente mais experiente Natalício Filho - que tem cartel de seis lutas, com quatro vitórias e duas derrotas.

Em bate-papo com o apresentador Éder Reis, o jornalista Mario Filho - além dos internautas -, os dois falaram sobre suas trajetórias no jiu-jítsu e os novos desafios que encaram com a transição para o MMA: será que conseguirão ser tão dominantes quando misturarem esses diferentes estilos? O que os fez optar por essa nova experiência? Quais são as principais dificuldades nessa transição dos tatames para os octógonos e cages?

Algumas dessas respostas estão logo abaixo. A conversa completa está disponível no Facebook do FOX Fight Club. Clique aqui e confira

FOX Fight Club: Por que deixar o jiu-jítsu e migrar para o MMA?
Rodolfo Vieira: Quis sair por um desejo pessoal, um desafio maior. Eu tinha o sonho de lutar MMA e arriscar para ver se seria campeão de MMA. E chegou o momento em que decidi sair.
Bruno Malfacine: Acabei de ganhar o mundial (de jiu-jítsu – em Long Beach, Califórnia). Foi meu nono título e senti que precisava de algo a mais. A gente está fazendo um projeto bacana, um documentário que filma todo o progresso, a evolução, do BJJ (brazilian jiu-jistu) para o MMA. Eles começaram a filmar desde março e a ideia era filmar o Pan-Americano e eu estrear, agora, nessa luta. Aí, lutei o Pan. Ganhei o Pan. E era para eu focar no MMA e lutar essa luta agora, minha estreia. Só que eu falei: “não, não, não. Tem algo errado. Quero lutar o Mundial”. Decisão minha lutar o Mundial. Eu senti que se fizesse os três, seria um desafio maior e eu seria mais completo. Então, foi mais pelo desafio mesmo. Estou ansioso para a estreia.

FFC: Roger Gracie apontou Malfacine como um dos melhores lutadores de BJJ da atualidade
BM: É uma honra ser citado pelo Roger. Se não for o melhor do mundo da história, é top 2. Ouvir algo assim vindo dele é bem legal porque a galera tem muitos olhos para (a categoria) absoluto.

FFC: O Brasil sempre foi a superioridade máxima, absoluta, do jiu-jítsu. Hoje, há novos concorrentes de outros países conquistando troféus. Projetando para o futuro, talvez o Brasil não seja, futuramente, essa potência tão imbatível nos faixas pretas?
RV: Com certeza. Vários brasileiros estão lá fora dando aula. Os americanos são muito dedicados em treino, sabem treinar. Eu não sei em quanto tempo eles vão dominar, mas vão dominar. O Brasil ainda está na frente. Eu acho que em oito, dez anos, vão começar a surgir americanos campeões na faixa preta.
BM: Eu conheço Musumeci (Michael, americano, campeão mundial no peso-pluma) desde os 14 anos de idade. Dava aula particular para ele e sabia que ele iria ganhar o mundial de faixa preta um dia.

FFC: Vocês começam num evento regional (Shooto). O que projetam para o futuro?
BM: É um universo novo. Não tenho nada concreto depois dessa luta. Um passo de cada vez. Quero lutar esse evento e sentar com o meu empresário. Estou focado nessa luta e depois vou ver o que fazer.
RV: Estou há um ano só treinando MMA. Agora, estou mais confortável, mas ainda sinto me sinto bem inexperiente para entrar num evento grande. Acredito que até o fim do ano que vem devo estar com cinco ou seis lutas – se Deus quiser, todas vitórias – e meu foco é chegar ao UFC.

FFC: Quais são suas referências no MMA?
RV: Tem o Glover (Teixeira) que eu gosto de ver lutar. O Alexander Gustafsson eu gosto, um cara bem técnico, faz tudo. O (Daniel) Cormier é um cara que via para dentro também.
BM: Eu gosto muito do Jon Jones. É uma coisa que quero colocar no meu jogo, é um cara agressivo... um “little” Jon Jones.

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