Dani Boaventura: Ah! Se todo Felipe do Brasil tivesse os problemas do Melo

Repórter dos canais FOX Sports dá a sua opinião sobre a carreira e o momento do volante que deve deixar o Palmeiras em breve

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Eu estava ali, entretida, no sinal fechado, lendo mais um texto sobre o Felipe Melo. Lia como se essa história fosse a coisa mais importante do dia e pensava no que pode passar pela cabeça do Felipe agora. "Tão bom jogador", lastimei... pelo volante que um dia já quis no meu time.

Parti pra mais uma frase do que ele falou, de como o clube reagiu, e aí, de repente escutei: "tia, tia... você pode comprar pra me ajudar?" Era um chocolate. Não sei se o nome do vendedor era Felipe, Marcelo, Roberto ou, quem sabe, Ronaldo, mas não tinha mais do que 13 anos de idade. Não quis o chocolate, quis apenas ajuda-lo. Acordei da leitura com o tapa na cara (e nem sou uruguaia!) de quem realmente não tem outra escolha senão encarar a dura realidade de um país desigual. Aqui não adianta cair no gramado, não tem ambulância pra te tirar. Aqui não são onze contra onze, a disputa é desigual. E juiz, bom, melhor deixar pra lá!

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Depois disso, já nem sei se sinto tanto pelo Felipe, o nascido em São Gonçalo e (ex-)jogador do Palmeiras, que preferiu construir a carreira mais na guerra do que na bola. Ele teve opção! Agora foi afastado, vive momento difícil emocional, vai superar, jogar em outro time e tocar a vida. Quem dera o problema da vida de todos fosse ter esse “problema”.

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Senti e sinto por todos os outros Felipes, Robertos, Ronaldos, garotos e garotas de famílias pobres que não vão ter pela frente a mesma oportunidade no esporte nem em outras áreas da vida. Sinto mesmo é que no país do futebol a grande maioria tenha poucos motivos pra comemorar quando volta o olhar pra fora das quatro linhas. 

Quem dera, um dia, o “tema do dia” fosse olharmos uns para os outros: fora da caixa, do umbigo, e poder ajudar alguém a sorrir ainda que pelo instante de gol marcado. 

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