Fabio Azevedo: Interditar São Januário não é o problema

A intolerância e a impunidade aumentam a violência nos estádios e torcedores saem de cena para os marginais assumirem o posto nas arquibancadas

312657
False

O tempo trouxe a mistura de sentimentos e palavras ao esporte. No futebol, por exemplo, tudo é aceito. Se alguém tenta levar vantagem, alguém sempre entende e diz que é normal. Se alguém xinga e ameaça, alguém sempre levanta a voz para dizer que faz parte do futebol. Se um clube pinta o vestiário adversário, isso é exemplo de catimba. Se a diretoria impede acesso ao campo, alguém defende indicando que é assim que se faz mesmo. 

Pressão o tempo todo bradamos aos quatro ventos. Passou da hora de entender algumas diferenças e resgatar valores. Somos reféns do medo, da intolerância e aceitamos estes "valores" compartilhados como se fossem normais. Um estádio de futebol é cimento, não toma decisão, não agride, mas está servindo de palco para barbaridades feitas pelo homem. Este é o problema: o homem.

Quem agride, mata ou ameaça transgride as leis e é passível de punição. Quem financia o ódio e a violência também tem que ser punido com o mesmo rigor. O comportamento humano se transforma em grupo, mas não pode servir como justificativa para tais absurdos.

Leia também:

Cueva de saída?

Turcos querem Arão

Gabigol é recusado

O que foi visto em São Januário ou no Beira-Rio pertence a esfera policial e judicial, não pode ser entendido como esportivo. A depredação, a ameaça e a violência não fazem parte do esporte. Ao esporte cabe a disputa e a batalha pelo resultado respeitando as regras.

Interditar o estádio de São Januário é como tirar o sofá da sala quando o marido encontra a mulher com o amante em cima dele. Este não é o problema central. Punir o clube por conta da segurança vale, mas não é a única coisa a fazer neste momento.

Identificar os vândalos, levá-los à Justiça e puní-los, com rigor, são os primeiros passos para limpar os estádios. Lá, a família tem medo de ir. Apenas interditar um estádio é trocar a praça de guerra.

Não falta lei. Falta rigor no cumprimento da lei. A forma como são conduzidas algumas questões, tendo como pano de fundo a paixão pelo esporte, "permite" estes absurdos rotineiros dentro de um estádio de futebol.

Para piorar este clima, dirigentes buscam factoides para esconder ou acobertar as cenas vistas neste fim de semana. Que o STJD aja pesado em cima dos clubes e dirigentes, dando a eles a responsabilidade devida. E que a Justiça leve ao banco dos réus os bandidos que usam a arquibancada como praça de guerra.

Deixe seu comentário