Fabio Azevedo: "Quem disse que quem paga R$ 200,00 na Ilha do Urubu quer ver o Márcio Araújo?"

Clubes cobram por conforto e espetáculos duvidosos e torcedores sofrem para acompanhar a paixão de perto

310771
False

O maior patrimônio de um clube é a sua torcida. Em muitos casos, os clubes fazem distinção e decidem escolher quem vai ao estádio. Os valores elevados são o estopim para a relação estremecer e virar uma DR. O poder aquisitivo brasileiro é baixo, a crise assola o país e o desemprego ultrapassa 14 milhões, mas estes dados não parecem sensibilizar os “governantes” dos clubes.

De um jogo simples a uma decisão de campeonato, tudo tem uma desculpa ou explicação para tentar justificar a alta dos preços dos ingressos. A mais usada é a questão do conforto, algo que vou discutir logo abaixo. A outra é o grande número de meia entrada, algo que cabe fiscalização, mas os clubes e o poder público se escondem de fazer. E a última é a grandeza do espetáculo. Vamos aos fatos e ao debate de ideias.

O conforto é muito discutido quando o clube justifica o aumento. Quando um torcedor paga R$ 200,00 para ter um lugar marcado em uma cadeira de plástico suja é garantia de conforto? Neste valor está embutido algum benefício, tipo estacionamento? Claro que não. Ele tem apenas o direito de sentar e ver o jogo, que ele não sabe se será bom. Aí, entra em campo o espetáculo.

Saiba mais:

Oswaldo fala sobre o Timão

Diego Alves elogia rivais

Guardiola de olho em jovem carioca

Quando você compra ingresso de um show, teatro ou cinema, você já sabe o que te espera, a performance dos protagonistas, mas no esporte o imponderável reina e faz dele algo imprevisível. E ainda tem as escolhas do treinador ou as cismas dele. Quem disse que quem paga R$ 200,00 na Ilha do Urubu quer ver o Márcio Araújo?

Por último, a lei da meia entrada. Lei burlada com facilidade ao apresentar uma carteira de estudante, que não tem a menor verificação e fiscalização nos eventos. Mas, ela é responsável pelo preço elevado sob a justificativa de que você majora o preço para que ele caia dentro da realidade prevista.

O projeto sócio torcedor é uma ótima alternativa para quem quer ter benefícios, mas quem pode pagar uma mensalidade em tempos de crise? Sei que o futebol mudou, as arenas também, mas os dirigentes precisam tratar o consumidor com mais cuidado e dar a ele o devido conforto e respeito. A paixão é eterna, mas a presença no estádio pode não ser.

Imagina um pai de dois filhos que quer ver dois jogos, disse dois jogos, por mês do seu clube. Se os filhos tiverem mais de 12 anos, ele vai gastar, por jogo, só no ingresso de R$ 200,00, R$ 400,00 porque os dois filhos pagam meia entrada. Isso sem falar no lanche e estacionamento. A conta chega, tranquilamente, aos R$ 500,00 por partida. Logo, em duas idas, esta família vai ter que desembolsar R$ 1 mil.

E olha que não falei da sensação de insegurança dentro e fora do estádio, outro fator que afasta o torcedor de uma partida. Criar espaços diferenciados é justo. O mais caro tem melhor visão, mais conforto e benefícios, mas não podemos esquecer das camadas mais populares que fizeram o futebol virar uma paixão nacional.

Deixe seu comentário