Fabio Azevedo: Clube de futebol no Brasil não tem dono

Diferente dos times europeus, que foram comprados por pessoas e passam a ser administrados por elas, as equipes brasileiras não pertencem aos dirigentes. Esse posto é dividido entre torcida e associados

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Eurico Miranda, Galiotte e Bandeira de Mello são presidentes de três dos maiores clubes do Brasil (Arte FOX)
Eurico Miranda, Galiotte e Bandeira de Mello são presidentes de três dos maiores clubes do Brasil (Arte FOX)

A cada dia que passa algumas práticas vão ficando pelo caminho, mas certos dirigentes insistem em seguir o modelo ultrapassado. Nenhum grande clube do Brasil tem um dono. Diferentemente da Europa, quando bilionários compram os clubes e se tornam donos, os estatutos dos clubes brasileiros não permitem tal prática.

Quem acha que é dono porque está no poder é um doente administrativo. Comandar, gerenciar as contas e tomar decisões não faz de nenhum dirigente a autoridade absoluta, aquele capaz de se sentir o dono. O mundo evoluiu, mas algumas pessoas ainda caminham para trás.

O sistema viciado permite manobras escusas que possibilitam o vício da garantia no poder. Quantos clubes têm o mesmo presidente por décadas? Alguns são assim, mas há outros que conseguem caminhar para frente dois passos e correr uma maratona para o passado se agarrando aos discursos.

Os verdadeiros donos dos clubes são os torcedores e associados. Apaixonados, eles podem se achar os donos, mas precisam respeitar regras. No entanto, o modelo da democracia brasileira permite às manifestações e eleições para indicar quem assume o comando.

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Ídolos fazem parte da história e são fundamentais no crescimento de um clube, mas também não são donos. No entanto, é legítimo entender que muitos se preparam para o pós-bola e podem ser úteis ao clube que tanto lhe deu dentro de campo.

Basta olhar em volta, fazer um corte neste século, para entender em que direção caminham os clubes. Qual será o futuro daqueles que optaram por equacionar dívidas e pagar em dia dentro do seu orçamento? O que será daqueles clubes que olham os erros do passado para buscar soluções para o futuro?

Definitivamente, o futebol é como o tempo. Ele passa para todos. Ficar velho não significa ficar ultrapassado, mas isso só se aplica àqueles que entendem que o novo veio para somar com conhecimento e estudo. Agora, os que se apegam ao poder em busca de benefício próprio e esquecem que o clube é muito maior que o próprio umbigo lamento informar: o futuro será uma escuridão.

A treva do abandono do apaixonado torcedor somado ao caos financeiro criará um hiato em conquistas e crescimento. Até que ponto vale pagar este preço? O novo não enterra o velho. Mas, o velho que não aceita o novo abre a própria sepultura e leva o clube junto.

Torcedor, reflita e veja se seu clube cresceu no século XXI ou parou no tempo? Uma conquista ou outra é efêmera. Faça uma análise mais profunda e compare com os rivais.

Talvez, você comece a enxergar que seu olhar pode ir mais longe que o atual mandatário permite.

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