Brasileirão de 1986: São Paulo, arbitragem polêmica, Tite no Bugre...

Blog relembra uma das mais dramáticas decisões do futebol brasileiro

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Há quase 30 anos foi disputado um Brasileiro com uma decisão das mais dramáticas da história do nosso futebol. 

O campeonato começou em 1986 e terminou em 1987. 

O São Paulo, então dirigido pelo técnico Pepe (que no mesmo ano tinha comandado a surpreendente equipe da Internacional de Limeira campeã paulista), encarou o Guarani, que tinha um time cheio de promessas, como o meia Marco Antônio Boiadeiro, o ponta João Paulo, o centroavante Evair e o zagueiro Ricardo Rocha. Coadjuvante do Bugre era o meia Tite, hoje um dos melhores técnicos do país. No papel, o Tricolor mostrava grande força com Careca (revelado pelo próprio Guarani e campeão brasileiro em 1978), Pita (ex-Santos), Muller, Silas, Darío Pereyra, Gilmar Rinaldi... 

No primeiro jogo, no Morumbi, empate por 1 a 1, gols de Evair e Careca. 

No segundo duelo, decisivo, no Brinco de Ouro, um elétrico 3 a 3 (somando-se tempo normal e prorrogação). "Até hoje, eu penso naquele jogo. Ficamos muito perto do título, mas perdemos. Não acredito até hoje", confessou Tite certa vez, depois de ser perguntado por mim e uma pausa para responder. 

Muitos bugrinos reclamaram e ainda reclamam de um pênalti não marcado em João Paulo. O árbitro José de Assis Aragão errou mesmo. Evair, um dos grandes cobradores de penalidade e que disputava a artilharia cabeça a cabeça com Careca, teria a missão de converte-lo. Mas o "se" não existe no futebol. 

O São Paulo conseguiu um milagre. Empatou no final da prorrogação, golaço de Careca (curiosamente no mesmo gol do título brasileiro de 1978, marcado pelo novato centroavante). Nas penalidades brilhou a estrela de Gilmar Rinaldi. E o São Paulo venceu aquele inesquecível Brasileirão em plena Taba do Bugre. 

Curiosidades do BR 1986

- Um dos principais reforços do São Paulo para aquele ano foi o volante Bernardo, que veio do Marília. Bernardo fez um dos gols do Tricolor naquele 3 a 3. 

- Marco Antônio Boiadeiro, contratado ao Botafogo de Ribeirão Preto, assumiu a camisa 10 do Guarani depois que Neto foi emprestado ao Bangu (RJ). 

- No ano seguinte, o mesmo Neto, novamente emprestado, seria campeão paulista pelo São Paulo. Mas Neto viveu seus melhores momentos mesmo em 1988, no Guarani, em 1989, no Palmeiras, e, principalmente no Corinthians, entre 1989 e 1993. 

- O São Paulo tinha vencido também o Brasileirão de 1977 fora de casa (contra o Atlético no Mineirão) e nos pênaltis. 

- Careca, importantíssimo nos jogos contra o Guarani, já tinha sido decisivo para o São Paulo nas partidas contra os cariocas Fluminense e América. 

- Além do Guarani, outra grande surpresa daquele Brasileirão foi mesmo o America do Rio, que eliminou o Corinthians. O time carioca contava com o experiente centroavante Luizinho Lemos e os novatos Renato (meia que depois jogou por Flamengo e Fluminense), o zagueiro Denílson (foi contratado pelo Corinthians em 1988), o lateral-direito Polaco (atuou pelo Fluminense) e o goleiro Régis (destacou-se no Vasco e no futebol paranaense).

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