A Copa Davis é de Andy Murray

Com um escocês decisivo, a Grã-Bretanha conquista o torneio após 79 anos

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O título acima pode até não ser politicamente correto, mas define exatamente o quê aconteceu esse ano, durante a trajetória da Grã Bretanha na Copa Davis. É certo que se trata de uma competição por equipe, onde em cada confronto acontecem cinco jogos, ou seja, nenhum jogador poderia ganhar o título sozinho, mas Andy Murray talvez tenha sido o jogador na história, que mais se aproximou desse feito.

Em quatro confrontos no ano, Murray venceu todos os seus oito jogos de simples (repetindo John McEnroe em 82) e mais três de duplas, totalizando onze vitórias em doze jogos possíveis. Além disso, e, não menos importante, as vitórias até a final foram sobre Estados Unidos, França e Austrália, os três maiores campeões da história da Copa Davis. Para completar, a Grã Bretanha é agora o 3º país com o maior número de títulos conquistados, com um total de dez.

Com a vitória na Davis, Murray quebra mais tabu dos britânicos. Primeiro foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 (104 anos), depois o título de Wimbledon em 2013 (77 anos) e agora a Copa Davis em 2015 (79 anos). Apenas como curiosidade, se os britânicos tivessem jogado em casa a final, Murray poderia ter tido suas três grandes conquistas na mesma quadra central de Wimbledon, teria sido mais histórico ainda, uma pena!

Falando um pouco do evento em si, ano passado estive na final entre Suíça e França, em Lille. Fiquei sete dias, assistindo todos os treinos, coletivas, e, lógico, os jogos. Foi a semana mais incrível que já tive em toda minha vida durante um evento de tênis. Talvez por ser a única ocasião nesse esporte, onde as nações se confrontam, o envolvimento dos jogadores parece se multiplicar, a participação da torcida transforma o jogo em um momento de rara magia dentro e fora da quadra, onde situações muito pouco prováveis acabam acontecendo, contrariando até mesmo a lógica, onde o ranking dos jogadores não determina os favoritos dos jogos.

Para definir a atuação de Andy Murray, nada melhor que a forma como ele jogou os três set points de cada set no jogo de domingo. No 1º set, tomou a iniciativa com um winner de devolução de esquerda, para quebrar o saque de Goffin e vencer com coragem e convicção. No 2º set, correu como um louco por toda a quadra e, quando foi quase encurralado fora da quadra com uma bola na direita, encontrou uma cruzada bem angulada, usando o punho para definir novamente com um winner. No 3º set, não muito diferente dos outros, precisou correr muito e, quando a torcida já vibrava com o ponto do belga, conseguiu recuperar uma bola perdida com a direita e na sequência tirar uma outra bola do chão, com um lob perfeito, frustrando Goffin, a torcida e todo um país que ainda tinha alguma esperança. Depois desse último ponto, no meio de toda a euforia e comemoração com o time britânico, Murray ainda tem a capacidade de deixar sua festa de lado, para ir até o time belga e cumprimentar Goffin e todo time adversário. Ahh...como eu gosto de assistir tênis!

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