A luta do século que foi SIM luta do século

Em vez de reclamar, que tal comemorar que tivemos a chance de ver Mayweather contra Pacquiao no combate de toda uma geração?

199091
False

Não... A luta não foi a melhor de todos os tempos. É difícil até argumentar que ela seja eleita a melhor do ano. Toda a expectativa em cima do que foi chamado de combate do século não foi transmitida para os ringues. Não houve nocaute, knock down, grandes sequências ou momentos empolgantes. Floyd Mayweather Jr. venceu por decisão unânime dos jurados e manteve o cartel irretocável de 48-0. Motivo para revolta? Nenhum... Goste ou não dele, goste ou não do estilo, este é Mayweather.

Quem acompanha já há algum tempo sabe que o que foi visto sábado é o que ele faz por toda a carreira. Floyd não parte para cima, não busca o nocaute e não empolga a torcida ou quem pagou pelos sempre muito caros PPVs. Mayweather se notabilizou toda a carreira por frustrar os rivais. Manter a distância, pontuar aos poucos com golpes sempre precisos e minar o adversário com a esquiva eficiente, a guarda quase impenetrável e contragolpe.

Qual seria a lógica de inverter toda a estratégia agora? Por que aos 38 anos e com a tão falada invencibilidade em jogo, Mayweather mudaria o plano de jogo? Por que fazer isso logo contra o adversário mais perigoso que ele já enfrentou?

Floyd provou ser o maior desta geração. Pacquiao pode ter andado mais para frente, ser até mais agressivo, mas dizer que ele venceu a luta? É muito... O filipino respeitou demais o contragolpe de Mayweather. Soltou pouco o jogo, conectou muito pouco. Os poucos mais de 400 socos lançados representa metade do que ele está acostumado a fazer. Apenas 81 golpes concetados contra 149 do norte-americano. Floyd venceu de forma bem clara. Mesmo que isso signifique que não tenha dado o show que tanto se esperou por quem não conhecia Floyd para valer.

Já aos 38 anos e com 48 vitórias, o pugilista admitiu que a última luta na brilhante carreira acontece em setembro. E se você espera que seja agora a vez que a invencibilidade vai cair, a verdade pode ser dura. Não vai. Se Floyd não mudou a estratégia e respeitou o que fez por toda a carreira, por que logo na última vez que vamos vê-lo dentro dos ringues ele arriscaria dar adeus com a primeira derrota?

Com Pacquiao no passado e sem argumentos convincentes para uma revanche, o mundo ideal para quem sonha ver Mayweather derrotado seria um combate contra o campeão dos médios Gennady Golovkin. Já a realidade é outra. Quem deve protagonizar a luta da despedida de Floyd é o inglês Amir Khan.

É natural que se tenha caído em tanta expectativa. Mas a luta do século nunca foi luta do século por se imaginar que ambos fossem trocar de forma franca e ensandecida. Pacquiao e Mayweather são os expoentes de uma geração carente de grandes nomes.

Ambos transformaram o boxe em um negócio muito rentável nos anos 2000. Movimentaram milhões e milhões de dólares e fizeram que milhares os acompanhassem. Foram campeões incontestáveis. E é bem possível que nada que eles pudessem ter feito dentro dos ringues fosse capaz de superar tantas cifras e agitação que giraram em torno desta luta.

Não... Não foi decepcionante. Seria pior, muito pior, saber anos para frente que o boxe não foi capaz de entregar a luta que cada fã quis ver por anos e anos. Que a luta nunca virou realidade. Que ficou apenas na imaginação de cada um. Não... Não foi frustrante. Longe disso...

O sonho saiu do papel e pudemos ser testemunhas dele. O esporte nos deu Mayweather x Pacquiao. Isso que realmente importa. Enquanto isso, Floyd já pode se aposentar com o título de melhor de toda uma geração sem que haja qualquer contestação ou asteriscos ao lado do cartel de 48-0, hoje, 49-0, em setembro. Tudo isso ao estilo próprio. Ao estilo Floyd Mayweather Jr. Goste você dele ou não.

E você me segue no Twitter AQUI!

Deixe seu comentário