Obrigado, Floyd e Manny. Vai ser uma honra.

Na luta do século, os dois maiores pugilistas de uma geração, enfim, se enfrentam em batalha que define o legado de ambas carreiras e realizam o sonho de muita gente

198775
False

Não sou especialista. Longe disso. O gosto pelo boxe talvez venha mais do sentimento quase inerente do ser humano de gostar da briga. Seja ela no meio da rua quando se para e vê, seja lá atrás quando presos eram aclamados nas arenas de batalha ou hoje em dia nos ringues. É algo instintivo. Da natureza mesmo do animal homem.

E em um esporte que já data de quase 150 anos, ainda dou os primeiros passos pelo mundo da chamada arte nobre. Com apenas 22 anos de idade, lembro vagamente, ainda pequeno, de um tal Mike Tyson. Era evento aqui em casa a luta do peso-pesado. E mais fantástica até que a imposição física e a dominância dentro das cordas, o melhor era saber que os adultos ficavam até tarde da noite para acompanhá-lo mesmo que já soubessem o final de tudo. Nocaute brutal e violento de Tyson nos primeiros rounds. E a graça era justamente essa. Não saber como terminaria, mas sim, como seria o meio para este fim.

Muhammad Ali? Apenas em vídeos. O mesmo para outros grandes como Sugar Ray Robinson, Evander Holyfield e tantos outros. Enquanto crescia, o desejo pelo mundo das lutas caiu. O tal vale-tudo não atraía e o boxe perdia os principais nomes. As lutas tarde da noite passaram a não serem mais os eventos de antes. Nem mesmo o enorme esforço em transformar Popó em um dos heróis esportivos brasileiros funcionou. Podia até ser legal vez ou outra, mas não saía disso.

O hiato chegou ao fim lá por 2007. A curiosidade me colocou para ver um tal Floyd Mayweather Jr. encarar Oscar de la Hoya. Chamada exaustivamente de luta do século. O primeiro colocava em jogo a invencibilidade. Na época, 37 lutas em que esteve invicto. No combate, uma decisão dividida entre os dois. A lenda Mayweather nascia ali para mim. E a relação especial com o boxe voltava a dar frutos.

Sempre que dava, acompanhei o norte-americano. Também sempre admirei o que o pugilista fazia dentro dos ringues. Floyd não era um nocauteador nato ou um cara extremamente forte. Pelo contrário. O que impressionava era a agilidade com que se movia. Seja para atacar com o famoso direto de direta de precisão cirúrgica ou minar o condicionamento físico adversário. Um mágico do boxe. Um gênio do esporte.

Esperava e contava os dias para poder rever Mayweather. E por mais fantástico que Floyd pudesse ser, o jeito arrogante não agradava. As vitórias se acumulavam. Cada adversário era uma possível nova ameaça contra o cartel perfeito do americano. Tudo besteira. Floyd fazia, e ainda faz, com que os rivais parecessem meros lutadores contratados apenas para que ele no final da noite ganhasse mais um número na frente do zero da coluna das derrotas. E claro. Aumentar ainda mais a já bem gorda conta bancária.

E se a admiração pelo o que Floyd luta é enorme. O desejo de vê-lo derrotado era ainda maior. Seria testemunhar história a primeira derrota na carreira. Quantas vezes não fiquei na televisão ou nos links piratas da internet secando? Só que não havia adversários. Todos coadjuvantes para que Mayweather reinasse mais e mais dentro do esporte.

Todos menos o tal Manny Pacquiao. Se Floyd Mayweather Jr. era uma das figuras que não deixava o boxe morrer de vez, o filipino Pacquiao era o contraponto ao americano. Ele bem mais diferente. Carismático e afável ao público. De infância duríssima e com uma história impossível de não se relacionar. Um ser humano engajado, religioso convicto e até político.

Manny Pacquiao é como deus nas Filipinas. A maior personalidade do páis. Orgulho de uma pátria e herói de um povo. Outro grande expoente no boxe da nova geração. Mais avassalador. As mãos mais rápidas do mundo. Capaz de socar mais de 20 vezes em um único segundo. Aquele que teria a chance de vencer Floyd. De dar a ela a primeira derrota na carreira.

Por anos a luta de ambos é ventilada. Sempre com problemas para que ela acontecesse. Floyd já suspeitou que Pacquiao usasse anabolizantes, brigas entre os gestores e promoção da carreira de ambos e desavenças financeiras em caso da luta se ela saísse do papel. Problemas não faltaram nos últimos cinco anos para que Mayweather x Pacquiao não desse ao esporte a potencial grande luta de toda uma geração.

Cinco anos depois, ela vai finalmente acontecer. Nem parece, mas 2 de maio é o grande dia. Tudo bem que os dois já não estão mais no auge físico e técnico. Os empecilhos ficaram de lado. Mesmo que isso tenha custado a todos nós poder assisti-los na melhor das formas.

E como em qualquer esporte, é preciso que haja uma rivalidade. No futebol, o Flamengo não seria tão grande sem o Vasco. No basquete, o Los Angeles Lakers precisou do Boston Celtics para ser o que é hoje. No próprio boxe, Muhammad Ali foi alçado ao que é hoje graças aos épicos conta Joe Frazier. E seguem exemplos e mais exemplos...

Mayweather precisava de Pacquiao. Pacquiao precisava de Mayweather. E finalmente chegou a hora daquela que tanto esperamos, perdemos até a esperança de que um dia sequer pudesse existir, mas que realmente acontece no sábado.

Desde o anúncio há pouco mais de um mês e meio. Até os eventos de imprensa e a própria pesagem. Tudo parece surreal demais. É de piscar, esfregar os olhos e até se beliscar. Ainda não acredito que a luta que tanto queria vai sair do papel. Na verdade, talvez a ficha só caia de vez quando os dois estejam dentro do ringue na madrugada do sábado para domingo. Só assim para saber que não sonho. Ou que tudo foi alguma armação.

Duas lendas. Os dois que movem milhões. Seja em cifras, multidões ou venda de PPVs. Floyd Mayweather Jr x Manny Pacquiao é mais do que a grande luta do ano. Falar em luta do século não é o menor dos exageros. Tudo bem que de tempos em tempos surge uma nova luta do século. Só que essa tem todos os motivos para ser chamada desta forma.

Desde o tempo recorde para que ela fosse marcada, os milhares de entraves no acordo para que os topassem se enfrentar, o que ela representa no legado e carreira de ambos, o dinheiro recorde que vai movimentar, a importância dos dois para o boxe atualmente... Mayweather vai embolsar, no mínimo, US$180 milhões. Pacquiao, US$120 milhões. A bilheteria deve passar dos US$70 milhões. Os 150 mil quartos de hotéis em Las Vegas estão lotados. Os ingressos oficiais foram vendidos em apenas um minuto.

Floyd e Manny são talvez o último suspiro de um esporte que, querendo ou não, já não é mais o mesmo. As últimas grandes estrelas do boxe. Vai custar muito tempo para que o esporte consiga promover algo que chegue perto do que os dois vão protagonizar no sábado.

Floyd Mayweather Jr x Manny Pacquiao não é apenas a luta do século. Floyd Mayweather Jr x Manny Pacquiao não é apenas o grande evento esportivo do final de semana ou do ano. Floyd Mayweather Jr x Manny Pacquiao vai ser lembrado por anos como um dos grandes momentos na história do esporte.

Poder ver os dois no sábado é um privilégio. Mais que isso. Uma honra. Seja para os leigos. Seja para os especialistas. Seja para os amantes. Seja lá quem for.

Obrigado, Floyd e Manny. Vai ser uma honra.

Ah, e para não dizer que fiquei em cima do muro... O coração diz Pacquiao por nocaute no 10º round. Fim do cartel perfeito de Floyd. 47-1. Já a cabeça fala Mayweather por decisão 116-112. Consagração do melhor lutador desta geração.

E você me segue no Twitter AQUI!

Deixe seu comentário