Dunga: A volta do estagiário

Campeão mundial como jogador, líder em campo. Ponto.

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!Aí vem o Dunga (Gettyimages)
Aí vem o Dunga (Gettyimages)

Do castelinho de areia nasceu o sonho. Foi à escola, se alfabetizou, estudou pro vestibular, passou, deu duro, fez cálculo estrutural, estudou, construiu casas, prédios, condomínios, estudou, hospitais, escolas, estudou, trabalhou muito, e aos 20 anos de profissão, virou um grande engenheiro. E segue estudando.

Cinco anos de faculdade, residência, estudo, centenas de horas dedicadas, plantões intermináveis, emergência do hospital público, estudo, madrugadas, o horror. Só mais uns 30 anos, estudo, e vai virar diretor de um grande hospital. 

Aí vem o Dunga.

Campeão mundial como jogador, líder em campo. Ponto.

Um belo dia, resolveu ser treinador. Deu sorte. Tavam precisando de alguém na CBF. Salário a combinar. 

Nunca pilotou teco-teco, lhe deram um jumbo. Daqueles que o piloto vai dormindo, não precisa fazer nada. 

Com a nave no automático, Dunga pensou:

- Sou bom, tchê. Só preciso pentear bem os cabelos com gel e fazer cara de mau.

Quase deu certo. O azar foi que, na hora da turbulência, o automático não resolveu. Dunga foi demitido. Teria que estudar e ralar como tantos sem-padrinho. Uma chatice.

Mas quem espera sempre alcança. Em quatro anos, a sorte lhe sorriu de novo. Os amigos do ex-time deram uma força. Não funcionou de novo. Muito azar.

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O jeito era esperar algum time do interior, uma seleção de quarta linha, atrás de uma grife no comando. Taiti, El Salvador, Ilhas Faroe. Opa, Venezuela! Não tem tu, vai tu mesmo. Dá esse contrato, onde é que eu assino? 

Mas não, pera.

A CBF, saindo do maior vexame esportivo de todos os tempos (não do Brasil, não do futebol, mas de qualquer país em qualquer esporte), precisa se renovar. Procurou, pesquisou, e teve uma ideia brilhante: renovar com o velho projeto de treinador que não deu certo. Como ninguém pensou nisso antes?

Uma segunda chance para um estagiário no cargo de CEO da maior corporação do futebol brasileiro. Brilhante.

Mas nem tudo está perdido para milhares de aspirantes a treinador, que fazem curso, especialização, estágio em clubes pequenos do Oiapoque ao Chuí. Nem tudo é derrota para outras centenas de treinadores que estudam, ralam, conquistam títulos, estudam, tiram leite de pedra, reinventam elencos limitados, estudam, administram craques e pernas-de-pau. 

Definitivamente, não há razão para Tite, Muricy, Abel, Cuca, Marcelo Oliveira, Mano Menezes e tantos outros se sentirem desprestigiados e preteridos por um novato. 

A CBF, muito atenciosa, deixou um recado público e carinhoso para todos:

Chupa que é de uva.

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