O ônus e o bônus

O Fluminense não merece jogar a primeira divisão em 2014 e a Portuguesa não merece jogar a Série B em 2014

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!A Lusa escalou Héverton contra o Grêmio aos 32 minutos do segundo tempo no último domingo, mas o jogador estava suspenso por dois jogos (Marcelo Machado de Melo/ Foto Arena)
A Lusa escalou Héverton contra o Grêmio aos 32 minutos do segundo tempo no último domingo, mas o jogador estava suspenso por dois jogos (Marcelo Machado de Melo/ Foto Arena)

O assunto é complexo. Não há um lado certo e um lado errado. Mas há caminhos para uma reflexão útil.

Há dois pontos centrais na questão:

O conflito legalidade x legitimidade. E o contraste culpa x dolo. 

Na letra fria da lei, a Portuguesa (ou qualquer time) deve ser punida por escalar jogador irregular.

Mas pensemos: um time que bota pra jogar um atleta por alguns minutos, no último jogo, pra cumprir tabela, sem objetivo algum no campeonato... Está mesmo se beneficiando?

Os indícios apontam claramente para erro, culpa. E não má fé, dolo, intenção.

O regulamento prevê estes atenuantes? Não. Está errado quem espera que a lei seja cumprida? Tecnicamente, não.

Mas é legítimo? 

O Fluminense não merece jogar a primeira divisão em 2014. Pela incompetência recorde de um presidente e dirigentes incapazes de manter um time milionário entre os dezesseis primeiros de um campeonato de nível técnico raso. Por tantos jogadores de baixo nível, indolentes, por técnicos mal escolhidos. Pelo conjunto da obra. 

A Portuguesa não merece jogar a Série B em 2014. Pela campanha heroica com poucos recursos, pouca torcida, por pelo menos uma dezena de jogos de bom nível, por muita gente que trabalhou bem e conquistou seu modesto e suado objetivo dentro de campo. 

Paixões de lado, poucos vão discordar: Lusa na segunda e Fluminense na primeira talvez seja legal, mas não necessariamente legítimo. O termo imoral é um pouco mais forte, pra mim um exagero neste caso.

Não sou jurista, advogado, auditor. Mas leis e regulamentos, não apenas no esporte, foram criados para resguardarem justiça, ética e legitimidade. Quase sempre conseguem. Não seria o caso, desta vez. Mas exceções, como sabemos, confirmam a regra.

Se o Fluminense, como consta, não tem mesmo participação numa suposta "manobra" e faz questão de voltar à primeira divisão dentro de campo, tem o dever de vir a público e dizer isso claramente, como grande parte de seus torcedores têm feito. O discurso na linha "vamos apenas aguardar os acontecimentos" parece ocultar um desejo secreto.

Se insistir em se omitir estará no seu direito. Mas vai reforçar a ideia de que não está inocente na historia.

E sim, há coisas mais graves do que cair de divisão. Dirigentes incompetentes podem achar que o ano desastroso não foi tão ruim assim. Que pagar rios de dinheiro a jogadores que nem entram em campo é um modelo de gestão moderno. Que vender seus melhores valores ao primeiro forasteiro asiático por três mariolas é ser esperto. Que trocar de técnico como quem troca de roupa é o melhor caminho. Que não ter um campo sequer para treinar é só detalhe. Que prometer CT e não cumprir é do jogo, daqui a pouco ninguém lembra mais.

Se ficar na primeira divisão, o Fluminense terá o regulamento a seu lado. E por todos os lados, um ônus muito maior do que o bônus.

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