Bombou! “Pai” da Copa União diz quem foi campeão e diz: “país está cheio de doentes”

Em entrevista exclusiva ao FOX Sports, João Henrique Areias abriu o jogo sobre o imbróglio que já dura mais de 30 anos, e que nesta terça-feira (18) teve mais um pedido de revisão do Flamengo indeferido nos tribunais

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O ano de 1987 ainda não acabou. Pelo menos, no futebol. A disputa da Copa União, competição que envolveu os 13 principais times do Brasil e mais 3 convidados, e teve o Flamengo como campeão e o Inter-RS como vice-campeão está distante do final. Nesta terça-feira (18 de abril), o Superior Tribunal Federal (STF) indeferiu, por 3 votos a 1, o recurso impetrado pelo Flamengo. O clube carioca contestava a decisão da Justiça que apontava o Sport como único campeão brasileiro de 1987.

São mais de 30 anos de discussão nos tribunais. A competição foi disputada por São Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Vasco, Fluminense, Flamengo, Botafogo, Bahia, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio e Internacional, fundadores do Clube dos 13, mais Goiás, Santa Cruz e Coritiba.

A CBF, à época, não organizou a competição e coube aos clubes assumir este papel com poucos meses e conhecimento para isso. Foi neste momento que João Henrique Areias, formado em marketing, entrou em campo para viabilizar o Brasileirão buscando patrocinadores e acordos com a televisão para a transmissão da Copa União.

Em entrevista exclusiva ao FOX Sports, o executivo da Copa União traz detalhes do modelo de gestão e critica a indicação do Sport como único campeão brasileiro de 1987.

Fox Sports: Afinal de contas, qual time é o campeão brasileiro de 1987?
João Henrique: Flamengo, sem dúvida nenhuma. Basta olhar para quem disputou o Módulo Verde. Se alguém disser que este não é o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão só pode ser doente. Aliás, nosso país está cheio de doentes. A competição era uma liga independente e a CBF, quando viu que estava dando certo, resolveu criar o Módulo Amarelo. Ela criou um novo regulamento com previsão de cruzamento entre os primeiros colocados. Os clubes se recusaram a assinar e pediram ao Eurico Miranda para comunicar que o Clube dos 13 não aprovava o novo regulamento. No entanto, ele foi à CBF e assinou o novo regulamento alegando que se não o fizesse isso comprometeria os clubes. Depois desta atitude, o Clube dos 13 se recusou a aceitar o cruzamento final.

FS: Esta disputa judicial apaga o brilho da competição?
JH: Não apaga porque o campeonato foi muito bonito, feito com os maiores clubes do país e com uma média de torcedores muito alta. O problema que fica é como se faltasse organização dos clubes. Acho que o mais justo seria os dois clubes serem declarados campeões.
 

FS: Por que o modelo não seguiu em 1988?
JH: O Clube dos 13 tinha recurso para organizar mais quatro edições, mas quando o Ricardo Teixeira assumiu ele convidou o Eurico Miranda para diretor de competições. Os clubes aceitaram a mudança e recuaram. Foi mais uma decisão política, pois os clubes precisam dar satisfação interna aos conselhos e isso gera medo de desfiliação. 

FS: Os clubes não são fortes suficientes para organizar uma competição? Eles vão viver dependendo das Federações e Confederações?
JH: Depois de alguns anos e da Copa João Havelange, em 2000, cheguei à conclusão que os clubes não têm competência profissional para organizar uma competição. Eles precisam criar uma liga para comandar, o que é permitido em lei. Dar aos profissionais este poder de organização. Tivemos esta chance em 1987 e não seguimos, algo que a Europa faz. Os clubes são muito desorganizados. A Primeira Liga fica em qual endereço? Organizado por amadores não traz credibilidade.

FS: O futebol brasileiro é rentável?
JH: Sim, mas desde que profissionalize. O Flamengo demonstra isso com administração profissional, mesmo em um ambiente político amador, com pressão a todo instante. O problema maior é o calendário atual. O Campeonato Brasileiro tinha que ser jogado só no fim de semana. As férias tinham que passar para o meio do ano, quando acontecem grandes competições de seleções. Isso atrapalha as arenas, por exemplo.

FS: Neste momento de crise econômica no Brasil, de escândalos políticos, o investimento diminui. É possível retomar o cenário positivo?
JH: O Flamengo está mostrando que é possível, o Palmeiras também indicando que este modelo profissional é possível. O futebol precisa ter transparência e profissionalismo. O Brasil tem 200 milhões de clientes fieis às marcas, que são os clubes. O torcedor não muda de clube de futebol.

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