
Sem muitas delongas, baseado no que vi durante toda a Libertadores e no comportamento das equipes no campo, tenho a impressão de que está mais para o Corinthians. Tem, no mínimo, a mesma disposição do adversário. Tem um conjunto que foi capaz de parar o melhor jogador do continente. Tem um desprendimento que faz com que um volante e um meia sejam os artilheiros da equipe, sem estrelismos. Tem uma visão de coletivo que inibe qualquer sentimento de revolta diante da barracão de um titular. E tem também uma vontade de vencer que, ao menos até agora, se mostrou no ponto certo entre a determinação pelo título inédito e a obsessão desesperada que põe tudo a perder no primeiro erro. O Corinthians parece bem maduro para ser campeão.
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Claro que o adversário está longe de ser ingênuo, possui um craque capaz de desequilibrar e uma camisa realmente pesada na América do Sul. Contudo, entre defeitos e qualidades de cada time, o Corinthians parece mais equilibrado do que o Boca. Não há um grande talento, é fato. Porém, não há grandes defeitos. Falta um 9? Falta, sim. Entretanto, até agora o mexe-mexe ali da frente com a chegada da turma do meio-campo tem funcionado. E esse equilíbrio também passa pelo aspecto emocional. Verdade que, na competição, o Corinthians de Tite não passou ainda por uma grande prova de fogo, ter de virar um jogo diante de um grande adversário, por exemplo. À exceção do jogo contra o Santos, nunca saiu atrás. E naquela partida, bastava empatar. Mas não passou por isso porque quase não deu chance ao adversário. Quando deu, como contra o Vasco, teve a sorte a seu lado.
Quem parar e olhar com calma (sei que é uma missão difícil para os corintianos a essa altura) vai ver que, se fizer seu melhor, o Corinthians não perde
Não perderei meu tempo aqui relatando feitos estatísticos do Corinthians. Sua campanha é mesmo muito melhor do que a do Boca. Porém, a Libertadores não dá muita bola para isso. É mata-mata. E um mata-mata tão cruel que é possível até vermos um vice-campeão sem derrota. A boa campanha ajuda para dar confiança, mas atrapalha se virar auto-suficiência.
Quem parar e olhar com calma (sei que é uma missão difícil para os corintianos a essa altura) vai ver que, se fizer seu melhor, o Corinthians não perde. O Fluminense foi derrotado na Bombonera, mas mandou nos primeiros 15 minutos, marcando adiantado, bem parecido com o que o Corinthians fez na Vila Belmiro. O Unión Española também andou perto da vitória na casa do Boca e deixou escapar por falhas de marcação que não são comuns ao Corinthians. A maioria dos que foram derrotados pelo Boca tropeçou por cometer, em geral, o erro de achar que tudo estava definido antes da hora. Relaxar não é uma característica do Corinthians.
Portanto, olho vivo em Riquelme, atenção a Santiago Silva, Emerson nas costas de Rocaglia, que gosta de atacar, Danilo no caminho da formiguinha Erviti, que surge pela esquerda como homem surpresa. E boa sorte ao Corinthians.
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